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‘Deu Onda’ põe o funk perto dos hits mundiais e longe da criminalidade

Em 2017 foi a primeira vez que um MC conseguiu fazer da sua música um hit no Carnaval do Brasil, um dos títulos mais disputados entre os cantores brasileiros. Quem o afirma é MC G15, o mestre de cerimónias que começou com 15 anos, e aí foi buscar o seu nome artístico, e que em apenas de três anos conseguiu fazer história.

MC G15

“Nunca um MC tinha feito um hit de Carnaval e a minha música foi um hit escolhido pelo povo. O ‘Deu Onda’ foi um sucesso mundial, contagiou o mundo e parou o Brasil.”, afirma G15 claramente orgulhoso.

Os cerca de 303 milhões de visualizações de ‘Deu Onda’ no Youtube impõem respeito. Estão ainda longe dos 703 milhões de visualizações de ‘Anaconda’, de Nicki Minaj, ou dos 914 milhões de ‘Work’, de Rihanna, mas bem perto de ‘Run the World’, de Beyoncé, com 375 milhões, ou mesmo acima de ‘Lay Me Down’, de Sam Smith, com 228 milhões de visualizações.

Se o preconceito em relação ao funk e a associação do estilo à criminalidade estavam já a romper-se, o sucesso desta música que transcendeu classes, idades e até as fronteiras do Brasil, veio reforçar esse movimento.

“O funkeiro vem da favela e, por isso, é logo tido como bandido e vagabundo. Esse é o maior preconceito. Muitas pessoas que não têm estudos, como eu, ganham um bom dinheiro com o funk e acredito que muitos não gostam disso e querem acabar com o funk. Mas não vão conseguir porque o funk é a favela.”, explica MC G15, um dos rostos da mudança de mentalidades. Uma das primeiras coisas que fez depois do sucesso foi comprar uma casa para os seus pais e tornou-se o pilar numa família com oito filhos.

Em entrevista ao SAPO na sua primeira visita a Portugal para uma série de concertos, recordou alguns momentos da infância, onde já se podia perceber a sua paixão pela música. “Depois de me tornar MC, percebi que, na verdade, sempre tinha sido assim. Uma vez, no Dia da Criança, estavam a oferecer um prémio a quem imitasse o Michael Jackson e quando eu subi ao palco fui o mais aplaudido. Na escola, fazia paródias e todos gostavam. Escrevia musiquinhas de funk e cantava, mas nem sabia o que era ser um MC”, recordou.

Gravou a primeira música por brincadeira e, admite, ficou viciado. Foi crescendo a fazer o chamado funk ousadia e conseguiu aquilo que parecia apenas um sonho.

A música ‘Você foi diferente’ foi o primeiro hit, que já fazia adivinhar algo maior. No final de 2016, ‘Deu Onda’ foi a confirmação. Anitta e Neymar foram alguns dos famosos que se renderam ao ritmo desta música, que se espalhou como um rastilho de pólvora.

Com ‘Deu Onda’ em primeiro lugar nos tops, 2017 começou bem e ficou ainda melhor quando o sucesso profissional se encontrou com a realização pessoal. “2017 tem sido o melhor ano da minha vida. Vou ser pai e Deus abençoou-me com um hit mundial. Ainda por cima, a frase da música é ‘o pai te ama’. É especial.”, confessou.

Acredita que o seu percurso na música e na vida serão dignos de orgulho para a filha e continua a deixar-se levar pelos sonhos. Reescrever o funk é o objectivo. “Vou dizer uma coisa que é comprometedora, mas eu gosto de desafios. Vou fazer do funk um sucesso na terra inteira. Vou inovar muito na música e se não for na minha voz, será na voz de um amigo. Eu quero fazer história.”

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