Dji Tafinha é com certeza um dos nomes mais sonantes da música jovem. O rapaz maravilha como é conhecido esteve mais uma vez na rádio para entrevista acerca das suas escolhas no mundo musical.

Tafinha foi questionado principalmente sobre a versatilidade apresentada constantemente em cada álbum que lança. Entre as várias questões postas pelos fãs, o músico começou por responder a diferença que existe entre as músicas que fez ontem com aquelas que faz nos dias de hoje.

"É uma situação simples: hoje em dia não consigo fazer metade das músicas que fazia antigamente porque naquela altura eram coisas para a minha idade, as calças que usávamos mais largas, eram cenas daquele momento. Actualmente não só as calças ficaram mais apertadas como as coisas mudaram. Eu não me sinto mais artista e menos rapper, nada a ver. A diferença é que as pessoas só conheciam um lado meu, mas eu antes já ficava na rua com várias pessoas a tocar guitarra e não era rap que nos tocávamos, eram músicas dos Nirvana, Xutos e Pontapés e muito mais. Quando o Hip Hop veio para a minha vida eu já fazia músicas que não tinham nada a ver com o rap. Eu continuei a fazer essas músicas mas muito em off. Fazia-as mas não sentia que estava pronto para as mostrar às pessoas, agora faço-as e sinto que as pessoas devem ouvir e sentir a sonoridade. Vejo que estou num país que precisa de crescer no que concerne à percepção musical e na análise do artista em si. Não quero dizer que o povo é burro, mas é verdade que eles só conseguem reconhecer uma coisa ainda, aconteceu com o Picasso que só foi reconhecido quando estava morto. O tempo passa e nós vamos perceber melhor as coisas, espero eu."

Sendo compositor, produtor e compositor Dji deu igualmente a sua opinião sobre a música feita pela nova geração de artistas do movimento Hip Hop em Angola.

"Os emcees têm que perceber um pouco de rap para além da moda, hoje todos querem cantar igual aos que estão tocar mais, usar os mesmos ritmos de beats etc. O que falta a muitos rappers novos é a originalidade, além disso também não se devem deixar levar pelo ego. Todos querem ser como os que estão a “Bater”. Muitos miúdos querem cantar também como eu, o problema é que eu sou o Tafinha, eles que sejam eles mesmos e se assim for eu vou aplaudir."

Em termos de Shows Dji Tafinha falou sobre como tem sido a sua luta para manter a sua carreira no ritmo que tem andado, mesmo por vezes não recebendo convites para os mega espectáculos organizados normalmente por conhecidas editoras:

"Esta é aquela questão que respondo com um sorriso nos lábios. Existe uma visão monótona para os artistas que aparecem nos grandes espectáculos. Para os artistas que são independentes como eu, ficas um tempo sem aparecer e vêm as questões e dúvidas interiores sobre o teu talento e se realmente deves continuar, mas depois aparecem aqueles momentos que provam ao contrário como quando estás a fazer um show no Cazenga e aparecem duas mil pessoas às duas horas da manhã a vibrar, chorar e a cantar contigo as tuas músicas. Quando vais para o Golf 1 e a situação se repete, quando vais vender o CD e aparecem pessoas que desmaiam só de te ver as dúvidas desparecem.
É óbvio que é notório o nível exagerado das escolhas para os artistas em grandes espetáculos, não sei se é pela amizade, ou talvez seja pela minha forma de trabalhar. Eu tenho uma personalidade muito difícil porque é aquilo que se diz, as pessoas que facilmente dizem aquilo que lhes passa pela mente, tendem a encontrar muitas dificuldades. Na sociedade em que vivemos pelo menos as pessoas não gostam disso, elas gostam daqueles que fazem sempre uma graxa bonita que mesmo que esteja mal tens de elogiar. Eu sou artista, o meu trabalho é cantar e não engraxar, enquanto tiver dois braços e pernas continua com esta posição. Se um dia algo mudar eu vou trabalhar num outro sítio e deixo de cantar."

Para fechar a entrevista ao beatbox, Dji Tafinha contou em primeira mão que está a trabalhar para o seu novo álbum de originais que será lançado este ano intitulado “Duetos”. O músico revelou ainda que este novo CD é uma das suas melhores experiências porque vai trabalhar com artistas de que é fã e que socialmente falando são os melhores que o mercado tem apresentado.