Artigo

As caras históricas por detrás da novela "Novo Mundo"

“Novo Mundo”, uma novela das 19h da Globo, baseia-se na história do Brasil para contar uma grande história de amor.

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A trama conta-nos que há quase 200 anos, uma travessia grandiosa do Atlântico trouxe a arquiduquesa austríaca Leopoldina (Letícia Colin) ao Brasil para se tornar a esposa de Dom Pedro (Caio Castro), personagem fundamental no processo de independência do país.

E, na novela, durante esta  mesma viagemdois jovens se apaixonam e despertam para o Brasil que encontram: a professora de português Anna Milmann (Isabelle Drummond) e o actor Joaquim Martinho (Chay Suede), cujo romance se entrelaça à luta do Brasil pela construção de uma nação independente. O que nem toda a gente sabe é que, para além de Dom Pedro e Leopoldina, houve ainda outras personagens da trama inspiradas em figuras históricas. Com comparações entre os seus retratos reais e os actores da Globo, conheça abaixo a História.

Dom Pedro
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O verdadeiro Dom Pedro I nasceu em 1798 e acabou por ficar na História com o cognome de "o Libertador" e "o Rei Soldado”. Foi o primeiro Imperador do Brasil, ao declarar a sua Independência em 1822, como Pedro I. Era o quarto filho do rei João VI de Portugal e da sua esposa a infanta Carlota Joaquina da Espanha (imagens abaixo), sendo assim um membro da Casa de Bragança. Pedro viveu os seus primeiros anos de vida em Portugal até que as tropas francesas invadiram o país em 1807, forçando a transferência da família real para a colónia do Brasil.

Novo Mundo
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Pedro encontrava prazer em actividades que necessitavam de habilidades físicas. Era um homem simples tanto em hábitos quanto ao lidar com outras pessoas. Excepto em ocasiões solenes quando era necessário usar vestuários elegantes, suas roupas diárias consistiam em calças brancas de algodão, um casaco também de algodão e um chapéu de palha com abas largas, ou ainda uma sobre-casaca e cartola para situações mais formais. Frequentemente entrava em conversas com pessoas nas ruas, querendo saber sobre os seus problemas.

Pedro raramente bebia álcool, porém era um mulherengo incorrigível. O seu primeiro caso duradouro conhecido foi com uma dançarina francesa chamada Noémi Thierry. O seu pai D. João VI, enviou Thierry para longe para que ela não ameaçasse o noivado de Pedro com a arquiduquesa Leopoldina da Áustria.

Maria Leopoldina

Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena nasceu em Viena em 1797 e além de arquiduquesa da Áustria, foi a imperatriz consorte do Brasil e ainda rainha consorte de Portugal e Algarves. Casou-se em 1817, aos vinte anos de idade, com D. Pedro de Alcântara. Amada pelo povo brasileiro (principalmente pelos escravos) D. Leopoldina foi uma contribuinte ferrenha pela luta da aceitação da identidade brasileira por Portugal.
Pedro e Leopoldina casaram-se por procuração no dia 13 de maio de 1817, com ela assumindo o nome de Maria Leopoldina. Esta chegou ao Rio de Janeiro, imediatamente apaixonando-se pelo marido, que era muito charmoso e atraente. Pedro, então com dezanove anos, era bonito e um pouco mais alto do que a média, possuindo olhos negros e um cabelo castanho-escuro.

Novo Mundo

Domitila de Castro Canto e Mello, conhecida por Marquesa de Santos, foi uma nobre brasileira nascida em 1797, célebre amante de Dom Pedro I, que lhe conferiu o título nobiliárquico de marquesa em  1826.

Domitila, aos quinze anos de idade, casou-se com um oficial do segundo esquadrão do Corpo dos Dragões da cidade de Vila Rica, o alferes Felício Pinto Coelho de Mendonça, citado por diversos historiadores como um homem violento, que a espancava e violentava, e de quem se divorciou.

Em 1822, Domitila conheceu Dom Pedro, dias antes da proclamação da Independência do Brasil. Domitila não foi a única amante de D. Pedro, mas foi a mais importante e a que mais tempo se relacionou com ele.

Domitila foi sendo elevada pelo amante aos poucos. Em 1825 foi nomeada dama camarista da imperatriz D. Leopoldina, e ainda no mesmo ano foi feita viscondessa de Santos com grandeza. No ano seguinte teve o título elevado a marquesa de Santos. Apesar de Domitila não ser natural dessa cidade, D. Pedro I, na tentativa de atacar os irmãos Andradas, nascidos em Santos, teria dado o título à amante.

Maria Graham

Lady Maria Dundas Graham Callcott nasceu a 1785 e ficou mais conhecida no Brasil como Maria Graham. Foi uma escritora britânica, além de notável pintora, desenhista e ilustradora.

Em 1823, Maria deixou o Chile para a sua segunda visita ao Brasil, altura que foi apresentada a D. Pedro I e à sua família. Ficou acertado na ocasião que Maria seria a preceptora da sua filha, a jovem princesa D. Maria da Glória. Em 1823 embarcou de volta à Inglaterra. Tão logo chegou a Londres, entregou para publicação os manuscritos de seus dois novos livros, “Journal of a Residence in Chile during the Year 1822 And a Voyage from Chile to Brazil in 1823” e “Journal of a Voyage to Brazil, and Residence There, During Part of the Years 1821, 1822, 1823”, ilustrados por ela. Juntou material didáctico suficiente e retornou ao Brasil em 1824.

Maria Graham permaneceu no país até 1826, ensinando a jovem princesa (futura rainha de Portugal) e tornando-se amiga íntima da imperatriz, Arquiduquesa Maria Leopoldina de Áustria, que apaixonadamente compartilhava os seus interesses pelas ciências naturais. Intrigas palacianas fizeram com que tivesse de deixar o Palácio em Outubro, mas permaneceu na cidade, só voltando à terra natal em 1825.

Novo Mundo
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Jorge de Avilez Juzarte de Sousa Tavares, 1.º Visconde do Reguengo e 1.º conde de Avilez, nasceu em 1785 e foi um general português, com um percurso militar desde cadete a coronel.

Em 1821, no Brasil, foi graduado a tenente general devido à sua nomeação para Governador das Armas da Corte e Província do Rio de Janeiro, controlando os tumultos que se tinham dado por motivo da partida do Rei e da corte.

Nesse mesmo ano e como comandante das tropas no Rio de Janeiro, dirigiu o ultimato ao príncipe D. Pedro para que jurasse as bases da Constituição, demitisse o conde dos Arcos e nomeasse uma junta governativa. Em Outubro de 1821, exigiu novamente a D. Pedro que anunciasse publicamente sua adesão às decisões das Cortes reunidas em Lisboa, que acatou e decidiu-se, num primeiro impulso, a regressar à Europa.

Contudo, em Janeiro de 1822, D. Pedro declarou publicamente que tinha decidido ficar no Brasil, facto conhecido como o Dia do Fico. Jorge de Avilez demitiu-se do governo das armas e, com receio de um ataque das tropas brasileiras, recuou para a Praia Grande, em Niterói, que fortificou, mas acabou expulso pelo Príncipe Regente.

Novo Mundo

Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, nasceu em Lisboa em 1791 e foi um político e confidente do primeiro Imperador do Brasil. Aos 16 anos, estava quase a ordenar-se sacerdote quando chegaram as notícias dos preparativos da fuga da corte portuguesa para o Brasil. Discutiu com o reitor e com o padre-mestre de disciplina do seminário e viajou, decidido a participar dos acontecimentos.

Em 1810, no Brasil, já se insinuava no palácio, obtendo a inclusão na lista de criados honorários do Paço. Um ano depois, era nomeado Moço de Reposteiro por D. João. Em 1812, aos 21 anos, já recebia algumas vantagens pela sua actuação em "serviços reservados" prestados ao Príncipe Regente. Rapidamente tornou-se o amigo favorito do príncipe D. Pedro, que encontrou no Chalaça o companheiro ideal para farras e escapadas nocturnas.

Novo Mundo

José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu a 1973. Foi um naturalista, estadista e poeta brasileiro. É conhecido pelo epíteto de "Patriarca da Independência" por ter sido uma pessoa decisiva para a Independência do Brasil.

Pode-se resumir brevemente sua actuação dizendo que foi ministro do Reino e dos negócios estrangeiros de janeiro de 1822 a julho de 1823. De início, colocou-se em apoio à regência de D. Pedro de Alcântara. Proclamada a Independência, organizou a acção militar contra os focos de resistência à separação de Portugal, e comandou uma política centralizadora.

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