No verão de 2017, havia grandes ambições para "A Múmia": o seu gigantesco sucesso comercial devia dar o "pontapé de saída" para uma saga do estúdio Universal sobre monstros chamada "Dark Universe".

Alinhados estavam vários projetos à volta da Noiva de Frankenstein e o Homem Invisível, com Javier Barden, Johnny Depp e provavelmente Angelina Jolie.

A realidade acabou por ser bem diferente: as críticas foram más e o público manteve-se afastado das salas. O filme de 125 milhões de dólares acabou por ser um fracasso de bilheteira nos EUA e só foi salvo graças às receitas na China. Dos planos para o "Dark Universe" pouco mais se falou.

A escolha de Tom Cruise como protagonista foi uma das críticas que foram feitas, desviando as atenções do "monstro" e tornando o filme igual a outros da sua carreira. Outras objeções foram para as cenas de ação banais e as tentativas de humor falhadas.

Agora, o realizador Alex Kurtzman refletiu sobre a experiência, reconhecendo que não correu como estava à espera e acabou a sua relação com o "Dark Universe".

"'A Múmia' não foi o que queria que fosse. Não estou mais envolvido nisso e não faço ideia do que se passa. Olho agora para trás e o que na altura foi doloroso acabou por ser uma benção incrível para mim. Aprendi que preciso seguir os meus próprios instintos e acho que não consigo ter sucesso quando não o posso fazer completamente", explicou durante uma entrevista ao The Hollywood Reporter.

"Esses filmes eram lindos porque os monstros eram personagens destruídas e nos podíamos reconhecer nelas. Espero que esses sejam os filmes que eles fazem; eu quero vê-los", acrescentou.

Nas entrelinhas ficam as críticas às interferências e elas só podiam ter vindo do estúdio e Tom Cruise.

Em junho de 2017, poucas semanas após a estreia, a Variety relatava as críticas em surdina no estúdio à "excessiva quantidade de controlo" de Tom Cruise, citando que era outro "caso exemplar de uma estrela de cinema descontrolada".

O contrato dava-lhe grande poder de decisão sobre o argumento, a pós-produção e decisões de marketing.

Com isso, trouxe novos argumentistas, que aumentaram a importância do papel como o militar mercenário Nick Morton, tornando-o mais central na história, uma vez que no início tanto ele como a Múmia (interpretada por Sofia Boutella) tinham o mesmo tempo no ecrã.

A montagem também foi controlada de perto e a versão final afastou-se do género de terror para se tornar um título mais parecido com outros da sua carreira.

Uma das passagens mais interessantes no artigoa da Variety citava fontes que falavam das dificuldades que o realizador Alex Kurtzman teve "para se ajustar à dimensão do projeto, pelo que parecia que Cruise era o verdadeiro realizador, definindo as grandes sequências de ação e tomando até as pequenas decisões na produção".

Já o estúdio Universal negou a influência negativa do ator em comunicado.

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