Com pouco mais de 24 horas de antecedência, a Apple cancelou a antestreia de gala de "The Banker" no encerramento do AFI Fest esta quinta-feira, justificando com "preocupações" sobre o filme.

Pouco depois, soube-se a razão: Cynthia e Sheila Garrett acusam o meio-irmão, o co-produtor Bernard Garrett Jr., de ter abusado sexualmente delas durante vários anos durante a década de 70.

O filme baseia-se na história verídica do seu pai, Bernard Garrett (interpretado por Anthony Mackie), e Joe Morris (Samuel L. Jackson), empresários negros que após terem sucesso no negócio imobiliário na Califórnia, compraram secretamente dois bancos no Texas com o objetivo de fazer empréstimos à comunidade negra.

Tratando-se da década de 1950 nos EUA, antes do Movimento das Liberdades Civis encabeçado por Martin Luther King, eles recrutaram um jovem branco (Nicholas Hoult) para ser o líder de fachada da sua empresa em que fingiam ser o porteiro e motorista.

Numa longa declaração ao The Hollywood Reporter (THR), além de reiterar a acusação de abuso sexual, Cynthia Garrett diz que o filme deturpa a história da família pois o meio-irmão altera a cronologia para deixar de fora tanto os outros oito irmãos como a sua mãe (a segunda esposa de Bernard Garrett).

Cynthia Garrett acrescenta que ela e a irmã mantiveram o seu abuso em segredo durante uma década, mesmo uma da outra. Muito mais tarde, Sheila Garrett contou ao pai, que "basicamente, não quis saber" e faltou ao seu casamento quando esta não quis que o meio-irmão estivesse presente.

A Apple comprou "The Banker" já finalizado em julho e ia estreá-lo nos cinemas a 6 de dezembro, antes do lançamento previsto em janeiro no seu novo serviço de streaming.

O plano passava ainda por uma campanha para os Óscares e Bernard Garrett Jr. chegou a participar em encontros com a imprensa.

Em comunicado ao anunciar a retirada do AFI Fest, a Apple informa que soube de "algumas preocupações que rodeavam o filme" na semana passada e ia discuti-las com os cineastas para "decidir quais são os próximos passos apropriados".

Segundo o THR, já tinham sido cancelados outros eventos públicos previstos com o co-produtor e o seu crédito no filme desapareceu do material de imprensa. Cynthia Garrett pediu para que o filme fosse completamente retirado de circulação.

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