Filho de
B.P. Schulberg, um dos grandes pioneiros do sistema de estúdio de Hollywood,
Budd Schulberg foi essencialmente um homem de letras, com romances tão célebres como
«What Makes Sammy Run», de 1941, e
«The Harder they Fall», de 1947, que nove anos depois daria origem ao último filme protagonizado por
Humphrey Bogart,
«A Queda de Um Corpo».

A sua relação com o cinema, apesar de muito pontual, começa cedo, tendo colaborado com pouco mais de 20 anos nos argumentos de fitas como
«Assim Nasce Uma Estrela» (1937) e
«Nada é Sagrado» (1937). Durante a Segunda Guerra Mundial, pertenceu à equipa de documentaristas liderada por
John Ford, e, após o Dia D, foi um dos responsáveis pela prisão da cineasta alemã
Leni Riefenstahl, com o objectivo essencial de a fazer identificar os criminosos de guerra nazis em filmes alemães capturados pelas tropas aliadas.

Membro do Partido Comunista entre 1936 e 1939, Schulberg foi testemunha cooperante na designada «caça às bruxas» imprimida pelo senador
Joseph McCarthy à cabeça do Comité de Actividades Anti-Americanas, denunciando 17 colegas, numa atitude que lhe valeu muitas críticas posteriormente.

Na verdade, Schulberg tinha ficado descrente da ideologia comunista, não só com o rumo que o Partido tinha tomado após a liderança de Estaline, mas também com o ataque que ele próprio sofreu por parte dos comunistas ao seu livro «What Makes Sammy Run». A obra, sobre a ascenção e queda de um jovem judeu, Sammy Glick, abordava também a criação do Sindicato de Argumentistas da América e era uma denúncia feroz a Hollywood. O livro, além de lhe valer a quase erradicação da indústria, levou também à paradoxal acusação por parte de
John Wayne de fazer parte de um complot comunista. Apesar das críticas de ambos os lados da barricada, o romance foi um grande sucesso, tendo sido mais tarde adaptado a um musical da Broadway.

«Há Lodo no Cais» foi, efectivamente, o seu primeiro argumento a solo para cinema, e conquistou oito Óscares, incluindo os de Melhor Filme, Melhor Realizador para
Elia Kazan, Melhor Actor para
Marlon Brando e Melhor Argumento original para Schulberg. Apesar da apologia da delação que está no seu cerne, é hoje um dos grandes clássicos do cinema e um emblema do novo realismo que a Sétima Arte norte-americana estava então a implementar.

A sua colaboração com Kazan prosseguiu com o argumento de
«Um Rosto na Multidão», em 1957, e um ano depois escreveria e co-produziria
«A Floresta Interdita», realizado por
Nicholas Ray, que seria despedido antes do fim da rodagem, que terá sido terminada pelo próprio Schulberg.

O argumentista não regressaria ao cinema mas manter-se-ia muito activo na escrita, tanto na imprensa (foi muito importante na área do relato sobre pugilismo) como no próprio ensino.

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