Subitamente privados de estreias para os seus filmes, produtores de Bollywood recorreram à Amazon Prime, Netflix ou Disney+ Hotstar para lançar as suas produções, provocando a indignação das redes de cinema tradicionais.

Em junho, a Amazon Prime disponibilizou o filme "Gulabo Sitabo" online, com a estrela de Bollywood Amitabh Bachchan, sem passar pelas salas de cinema.

É uma iniciativa seguida por outros filmes hindus, mas também pelas principais indústrias cinematográficas regionais em Tamil, Telugu e Malayalam.

A segunda maior rede multiplex da Índia, INOX Leisure Limited, alertou os produtores de que se arriscam a possíveis "medidas de retaliação".

"As estrelas de cinema não são feitas no pequeno ecrã, mas no grande", disse à AFP Siddharth Jain, diretor executivo da INOX.

"Nesta batalha de muito dinheiro, os cinemas já não escondem a preocupação", acrescentou. "Nenhum modelo de negócio no mundo pode competir com dinheiro de graça, e a Netflix é apenas dinheiro de graça", afirmou.

Os jornalistas indianos e os seus smarphones

A Índia é a maior produtora de filmes do mundo, com quase 1800 estreias em 2018 em diversos idiomas, e algumas estrelas são alvo de um culto quase religioso.

O cinema é imensamente popular e acessível na Índia. Por aproximadamente um dólar, um bilhete possibilita três horas de entretenimento numa sala com ar acondicionado.

Cinema no sangue

Alguns cinemas, mais exclusivos e mais caros, oferecem até assentos confortáveis, cobertores contra o frio do ar condicionado e uma ampla variedade de pratos servidos diretamente ao espectador no seu lugar.

Mas com um gigantesco mercado entre as pessoas com menos de 30 anos, muitas das quais são consumidoras regulares de conteúdo móvel, o país é um mercado atraente para os gigantes da transmissão online, que investiram muito nos últimos anos.

Agora propriedade do grupo Disney, a Hotstar - líder do mercado local -, afirma que registou 300 milhões de utilizadores mensais em 2018. A plataforma oferece alguns conteúdos gratuitos e outros para assinantes.

O diretor de conteúdos da Amazon Prime na Índia, Vijay Subramaniam, afirma que as plataformas de transmissão não estão a tentar eliminar os cinemas.

"Os cinemas desempenham um papel importante na distribuição de filmes e não estamos a tentar mudar isso", disse à AFP.

Os cinemas indianos estão a preparar-se para a reabertura, mas esperam cumprir as normas de saúde, que reduzirão ainda mais a sua faturação.

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