É uma surpresa que pode revolucionar o futuro em Hollywood: quando se esperava pelo primeiro trailer de "O Paradoxo Cloverfield" durante o Super Bowl no domingo à noite, a Netflix e J.J. Abrams tinham algo mais em mente.

O trailer, na verdade um "teaser" de 30 segundos realmente foi lançado ao intervalo, mas logo após o fim do jogo da final do Futebol Americano todo o filme estreou de surpresa na Netflix a nível mundial.

Antes do início do Super Bowl, a realizadora Ava DuVernay ("Selma", "Uma Viagem no Tempo") já tinha dito que o Twitter ia explodir com algo em que mal conseguia acreditar e que definia como um momento histórico.

Ao intervalo, revelou o que ia acontecer: o filme com uma atriz negra como protagonista (Gugu Mbatha-Raw) e dirigido por um realizador negro (Julius Onah) ia ser lançado a nível mundial com o poder da Netflix, "sem visionamentos de imprensa, anúncios, trailer. Direto para as pessoas. Mudança de jogo."

Quando lhe perguntaram quando isso ia acontecer, lançou a bomba: no fim do jogo. E acrescentou: "Sempre disse que as paredes tradicionais estão a cair. Novos caminhos são necessários neste sistema antiquado. Mudar é positivo."

Ainda com Daniel Brühl, Chris O'Dowd, Elizabeth Debicki, David Oyelowo e Zhang Ziyi, "O Paradoxo Cloverfield"  é o novo capítulo de uma saga que tem como produtor J.J. Abrams e começou com "Nome de Código: Cloverfield" (2008), prosseguindo com uma sequela rodada em segredo, "10 Cloverfield Lane" (2016). Existem rumores que um quarto filme, "Overlord" também pertence ao mundo em expansão de "Cloverfield", uma vez que a história se passa no fim da Segunda Guerra Mundial.

O estúdio Paramount previa lançar o terceiro filme nos cinemas em fevereiro de 2017, ainda com o título "God Particle", mas retirou-o do calendário. Em abril surgiram notícias de que a Netflix estava em conversações para o comprar, uma vez que a liderança da Paramount sentia que já não ia dar lucro com o tradicional lançamento nas salas por causa do orçamento ter disparado dos cinco para 40 milhões de dólares.

Em janeiro deste ano voltou a ser adiado, agora para abril, sendo avançado como provável que o estúdio precisava de mais tempo para montar uma campanha publicitária eficaz. Como se percebe agora pelo desfecho, a razão era outra.

Além de revelar a disponibilidade dos estúdios para não lançarem nos cinemas títulos que achem que não vão ter rentabilidade suficiente, mesmo mais caros e atores bem conhecidos, o que aconteceu com "O Paradoxo Cloverfield" vai certamente intensificar a discussão à volta do modelo tradicional de distribuição dos filmes, em que as salas de cinema têm uma janela de exclusivo até 90 dias, que muitos, incluindo claramente Ava DuVernay, consideram ultrapassado.

Teaser "O Paradoxo Cloverfield" (já disponível na Netflix).

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