Judi Dench voltou a colocar-se a "jeito" ao defender o legado artístico de várias personalidades acusadas de alegados crimes sexuais revelados, denunciados em pleno movimento #MeToo.

Apesar de ter condenado os seus comportamentos, a lendária atriz britânica defendeu o colega Kevin Spacey em setembro de 2018 e as reações nas redes sociais dividiram-se entre os elogios por "dizer o que pensa" e os que acharam que tinha passado os limites ao chamá-lo de "bom amigo" que muito a apoiou após a morte do marido em 2001.

Agora, voltou a reiterar que não podem ser removidos os trabalhos do ator e também do outro grande símbolo do escândalo, Harvey Weinstein, o produtor a quem sempre disse dever muito do seu sucesso tardio no cinema.

Após ter defendindo que não aprovava "expulsar as pessoas da nossa história" há quase um ano no Festival de San Sebastian, a atriz voltou a referir-se à forma como Spacey foi cortado de "Todo o Dinheiro do Mundo", o filme de Ridley Scott, sendo substituído por Christopher Plummer,

"Que tipo de agonia é essa? Vamos negar os 10 anos em que esteve no Old Vic [um famoso teatro britânico] e tudo o que ele fez [como diretor artístico] – como foi maravilhoso em todos esses filmes? Não vamos ver todos esses filmes que o Harvey produziu?", perguntou durante uma entrevista ao Radio Times.

"Não podemos recusar a ninguém um talento. Indo por aí, também nunca mais olharíamos para uma pintura de Caravaggio [que foi um assassino]. Nunca mais iríamos ver Noël Coward [um dramaturgo e ator falecido em 1973 acusado de comportamento predatório]", acrescentou.

Na abrangente entrevista, Judi Dench também abordou o tema da perda gradual da sua visão por degenerescência macular, que revelou no início de 2012 e a forçou a parar de conduzir em 2017.

"Agora não posso ler o jornal, não posso fazer as palavras cruzadas, não posso ler um livro, mas aguenta-se. Tenho pessoas que leem para mim e ensaiam os diálogos comigo", explicou.

A atriz mostrou-se estóica sobre o que vai acontecer quando deixar de ver: "Não quero saber. Não há nada que possa fazer. Ajustamo-nos. Portanto, ignoro isso tudo".

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