Em 2018, Willem Dafoe foi Vulko em "Aquaman", num momento em que os filmes de super-heróis dominam as salas de cinema e Hollywood.

Mas em 2002, ele foi o vilão Venom em "Homem-Aranha", um dos primeiros filmes do género. E a julgar pelos relatos, as experiências foram bastante diferentes e o género mudou evoluiu para pior.

"'Homem-Aranha' foi divertido porque o [realizador] SamRaimi o fez como se fosse um pequeno filme independente. E também foi antes de muita da tecnologia estar disponível e os filmes de banda desenhada eram algo razoavelmente novo, portanto foi emocionante. Nada feito baseado em números, não traziam os especialistas", explicou durante uma entrevista ao 92Y sobre "O Farol", um recente filme independente que fez com Robert Pattinson.

Homem-Aranha (2002)

Willem Dafoe acrescentou que o género cresceu e se tornou uma indústria, o que se notou durante a rodagem de "Aquaman".

"Divertimo-nos com algumas coisas que podemos fazer, porque existe imenso 'hardware' e imensos planos loucos em guindastes e esse tipo de cosas. Isso é divertido. Mas as coisas são exageradas. Gastam imenso dinheiro em grandes cenas, porque é isso que faz a ação, e acho-as demasiado longas e barulhentas. Mas não vale a pena irmos por aí. Não quero morder a mão que me alimenta. A sério. Reparem, não são estes os filmes que vou ver a correr", partilhou.

Em várias declarações públicas em outubro e já este mês, o cineasta Martin Scorsese criticou o género, dizendo que "nada está em risco, os filmes são feitos para satisfazer um conjunto específico de exigências e são projetados como variações num número finito de temas". Também indicou que as sagas modernas de cinema "eram estudadas no mercado, testadas com público, avaliadas, modificadas, revestidas e remodeladas até estarem prontas para o consumo".

Willem Dafoe vai no mesmo sentido, sugerindo que o género se contenta por ficar na mesma.

"O que me preocupa com estes grandes filmes é que precisam de algo que os alimente. Precisam de evoluir e de pessoas que empurrem os limites para que possam avançar. Porque, na verdade, eles não estão no negócio de avançar. Estão no negócio do negócio e podem-se fazer coisas lindas porque eles têm imensos recursos", concluiu.

A sequela de "Aquaman" está prevista para 16 de dezembro de 2022, estando previsto que Willem Dafoe volte a ser o conselheiro Vulko.

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