O quase desconhecido Ben Kingsley (à direita na foto), entrou na história do cinema ao interpretar Mahatma Gandhi em 1982. Um dos oito Óscares ganhos pelo filme foi para ele.

Mas o "casting" tão elogiado naquela altura como "perfeito" podia ter sido muito diferente, como revelam os arquivos do realizador Richard Attenborough, finalmente catalogados pela Universidade de Sussex quatro anos após a sua morte.

"Gandhi" levou 20 anos a chegar ao grande ecrã e 70 caixas do arquivo são de correspondência sobre filme e o dilema de quem devia ser o líder indiano.

A grande revelação é que um dos atores que foi pensado já bem perto do início da rodagem foi Marlon Brando (à esquerda na imagem), que tinha acabado de fazer "Apocalypse Now" (1979).

No famoso filme de Francis Ford Coppola, Brando era, claro, o monstruoso (e corpolento) coronel Kurtz.

Embora ainda não tivesse a notável figura dos seus anos mais avançados, ia nos 98 quilos, enquanto Gandhi, que levou a cabo 17 greves de forme durante a campanha para a libertação da Índia, pesava cerca de 50.

Os documentos indicam que foram sugeridos ao longo dos anos vários atores... brancos, o que também deixou o realizador com muitas dúvidas.

O processo agonizante, que também incluiu o argumentista John Briley, passou por nomes como Alec Guinness ("A Ponte do Rio Kwai", "Star Wars"), Albert Finney, Al Pacino, Dustin Hoffman, Peter Sellers, Peter Falk e John Hurt.

A salvação chegou quando Attenborough foi ver Ben Kingsley numa peça e o chamou a seguir para fazer um teste a 25 de julho de 1980.

Então com 36 anos, o nome verdadeiro do ator era Krishna Pandit Bhanji, resultado de ser filho de mãe inglesa e pai nascido no Quénia de ascendência indiana.

A seguir ao teste, os dois viram as imagens juntos e, de acordo com o filho, Michael Attenborough, o realizador virou-se para Kingsley e disse-lhe: " Bem, suponho que seja melhor então você interpretá-lo".

"Serei o mais humilde servidor do filme", foi a resposta, já dentro "da personagem". E o resto é história...

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