Não culpem os cineastas pela falta de "filmes sérios" nas salas de cinema, procurem as razões entre o público.

Esta é a teoria do Paul Schrader, realizador do aclamado "No Coração da Escuridão" com Etahn Hawke, mas ainda mais venerado pelos cinéfilos como o argumentista de "Taxi Driver" (1976) e "O Touro Enraivecido" (1980).

Num colóquio sobre argumentistas organizado pela Academia de Cinema Britânica em Londres, Schrader contrariou a ideia de que a década de 70 foi simplesmente uma "era de ouro" do cinema americano.

"Existem pessoas que falam do cinema americano dos anos 70 como um período fabuloso. Até certo ponto foi, mas não por existirem cineastas mais talentosos. Aliás, provavelmente existem mais cineastas talentosos hoje do que nos anos 70. O que havia nos anos 70 eram melhores audiências", defendeu.

Dos direitos das mulheres e dos 'gays', à liberalização sexual e das drogas e ao sentimento anti-guerra, Paul Schrader explicou que as pessoas se viravam para as artes, nomeadamente o cinema, à procura de reflexões sobre os temas das mudanças da sociedade americana em que estavam a pensar.

"Quando as pessoas levam os filmes a sério, é muito fácil fazer um filme sério. Quando não os levam a sério, é muito, muito difícil. Agora temos espectadores que não levam os filmes a sério, portanto é difícil fazer um filme sério para eles. Não somos nós, cineastas, que vos estamos a desiludir, são vocês, espectadores, que nos estão a desiludir", garantiu.

"Porque se os espectadores estiverem disponíveis para um filme de qualidade, acreditem que irão tê-lo. Nós estamos apenas à espera para os fazer. Naquela altura [a década de 70], esse período de dez, 12 anos, todas as semanas havia algum tipo de filme que abordava um tema social em ficção", concluiu.