Na quinta-feira, a nova versão de "O Predador" recebeu muita publicidade involuntária e daquela que Hollywood menos deseja: negativa.

Foi o dia em que o jornal Los Angeles Times revelou que a 20th Century Fox tinha cortado uma cena do filme a menos de um mês da estreia após ser avisada que tinha um ator, Steven Wilder Striegel (conhecido profissionalmente como Steve Wilder), condenado por crime sexual.

O aviso veio de Olivia Munn, que após a notícia revelou nas redes sociais que estava obrigada a fazer promoção ao filme por causa do contrato e "pelo que estou a perceber, acho que preferiam que não aparecesse. Faria todos respirarem com mais facilidade".

Mais tarde, agradeceu a todos os que foram apoiar a antestreia do filme no Festival de Toronto, acrescentando que "gostaria que tivesse sido possível fazer entrevistas na passadeira vermelha, mas apressaram-me e disseram que não tínhamos tempo."

Apesar das tentativas para abafar a polémica, a atriz não se ficou e revela agora que o estúdio demorou a reagir e reafirma as críticas ao realizador do filme Shane Black por a ter colocado a trabalhar com um ator seu amigo sem avisar que estava registado como criminoso sexual e que todos preferiam que estivesse calada.

"Quando falei, [a Fox] ficou em silêncio durante dois dias. Tive de entrar em contacto outra vez e dizer que não me sentia confortável em ser apresentadora nos MTV Awards com o [colega no filme]  Keegan [Michael Key] a não ser que este tipo fosse cortado", disse à revista Variety em Toronto.

"Não estou a dizer que não estiveram a lidar com isso nas bastidores. Apenas não ouvi nada sobre isso. Mas obviamente que estou feliz por o terem feito porque estou orgulhosa do trabalho que fizemos neste filme, todos trabalhámos muito intensamente e moralmente não poderia apoiar este filme com este tipo nele", acrescentou.

Olivia Munn recordou que os filmes chegam a tantas pessoas, principalmente um como "O Predador", e por mais pequeno que seja o papel, como era aqui o caso, isso pode influenciar pessoas impressionáveis e ser nocivo quando existe um historial de abusos.

"Acredito que as pessoas merecem uma segunda oportunidade, mas tenho um limite em relação a pessoas que fazem mal a crianças ou animais. Merecem conseguir trabalhar, mas não num filme ao meu lado", defendeu.

Olivia Munn com o realizador Shane Black e Steven Wilder Striegel durante a rodagem de "O Predador".

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O realizador Shane Black acabou por pedir desculpa, explicando ter descoberto que não conhecia todos os detalhes da história, mas a atriz ficou desiludida: "Acho que um pedido de desculpas tem de acontecer em privado, não apenas publicamente. Penso que ele disse que pedia desculpa a todos no passado e presente que colocou nessa situação, e isso seria eu, mas não recebi essa desculpa, li sobre ela online como toda a gente".

Olivia Munn contou ainda o que pensa quem manda sobre a controvérsia: "Chega-se a um ponto em que se está nisto, toda a gente de cima para baixo, apenas querem que a gente fique quieto e faça o que for preciso para ajudar [a promover] o filme. Estão a fazer alguns truques Jedi tipo 'Estas não são as pessoas [dróides] de quem andam à procura' e eu fico, 'Isso comigo não está a resultar!".

Apesar disso, revela que o apoio "avassalador" online desde que saiu a notícia é reconfortante: "Por vezes precisamos que as pessoas nos confirmem que não estamos malucos".

"O Predador" estreia nas salas de cinema americanas e portuguesas esta semana.

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