Os fãs de Tarantino ou os mais curiosos devem prestar mais atenção num visionamento de "Os Oito Odiados": a inspiração para a misoginia de Kurt Russell no "western" de 2015 veio diretamente de Harvey Weinstein.

O filme apresenta um retrato cruel do caçador de recompensas John "The Hangman" Ruth em relação à sua prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), mas Stacey Sher, produtora-executiva que trabalhou com o realizador pela primeira vez em "Pulp Fiction" (1994), sugere que podia ainda ter sido pior sobre o famoso produtor de Hollywood que caiu em desgraça por causa de dezenas de acusações de alegados assédios e abusos sexuais.

"Lendo no argumento era um pouco mais preciso. O Kurt é a pessoa mais encantadora no planeta", explica em "QT8: The First Eight" ['QT8: Os Primeiros Oito'], um documentário sobre o cinema de Quentin Tarantino com depoimentos dos seus colaboradores mais próximos.

"Os Oito Odiados"  foi escrito por volta 2013-14 e Weinstein não terá percebido que o seu comportamente inspirou a desprezível personagem: lançado no outono de 2015 nos cinemas dos EUA, foi o último produzido e distribuído pelo estúdio do produtor.

Após as primeiras denúncias públicas de abusos em outubro de 2017, Tarantino admitiu que teve conhecimento direto dos alegados comportamentos do produtor de todos os seus filmes por causa de uma antiga namoroda, a atriz Mira Sorvino. Confirmou que também sabia que Rose McGowan tinha chegado a um acordo financeiro para encobrir uma acusação de violação.

Apesar de dizer que não conhecia a extensão total dos comportamentos, o realizador disse que "sabia o suficiente para fazer mais do que fiz. Havia mais do que os boatos do costume, as bisbilhotices habituais. Não foi de ouvir falar. Sabia que ele tinha feito duas daquelas coisas. Gostaria de ter assumido responsabilidade pelo que ouvi. Se tivesse feito o que devia naquela altura, teria que não trabalhar com ele".

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