Cópias em DVD pirateadas são vendidas a 2 dólares cada no distrito de Hamra, que aparece no filme como local de batalhas violentas entre guerrilheiros palestinianos e a unidade do realizador do filme,
Ari Folman, no Exército.

«É um dos melhores filmes que já vi na vida», diz Lokman Slim, activista da organização libanesa UMAM, que visa preservar as memórias de guerra do país exibindo filmes relacionados com as suas décadas de conflitos.

«Sinto alguma inveja porque aqueles que devemos considerar nossos inimigos têm a coragem de tratar de factos nos quais tomaram parte, enquanto nós, libaneses, mantemos um silêncio interminável em relação à nossa história", disse Lokman à Reuters, em Beirute.

«Valsa com Bashir» - o título faz referência à aliança de Israel com o líder cristão libanês da época, Bashir Gemayel - mistura documentário e animação ao abordar o trauma da invasão israelita do Líbano, há cerca de 26 anos, para expulsar guerrilheiros palestinianos.

Baseando-se nas recordações de antigos companheiros de farda, Ari Folman mostra a guerra nas cores berrantes de um livro de banda desenhada – a não ser nos momentos finais, quando se vêem cenas chocantes e pilhas reais de corpos.

Cerca de 600 mulheres, crianças e idosos palestinianos foram massacrados em Sabra e Shatila à luz de foguetes de iluminação disparados sobre Beirute pela unidade do exército israelita do qual Ari Folman (na altura, um recruta com apenas 19 anos) fazia parte, e que recebera ordens para ajudar a milícia falangista cristã a impor a ordem nos campos.

Recorde-se que o massacre de Sabra e Shatila suscitou enorme choque a nível mundial e uma comissão de inquérito formada em Israel responsabilizou indirectamente o então ministro da Defesa Ariel Sharon, forçando-o a renunciar ao seu cargo.

A comissão concluiu que Sharon, que mais tarde se tornaria primeiro-ministro, ignorou os avisos de que os falangistas massacrariam os refugiados palestinianos para se vingarem da morte de centenas de civis cristãos às mãos de guerrilheiros palestinianos no sul do Líbano, seis anos antes.

Mas nem todos os libaneses estão satisfeitos com a versão de Folman da história.

«O filme mostra só uma parte da verdade. É como se o realizador dissesse 'nós, israelitas, não cometemos este crime - foram os falangistas’», disse Ziad Moussa, professor aposentado em Ramallah, na Cisjordânia, onde o filme foi exibido num centro cultural franco-alemão.

Mesmo assim, Moussa considera que o filme é «um passo na direção certa» para sanar o passado sangrento entre israelitas e palestinianos.


«Valsa com Bashir»
ganhou o Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira de 2008 e está nomeado para o Óscar 2009 de melhor filme estrangeiro.

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