Afinal era inevitável o impacto do "Baby Yoda" em "The Mandalorian", a primeira série "Star Wars" em imagem real, disponível na plataforma de streaming Disney+.

Pode mesmo dizer-se que era o destino de todos os espectadores: a Ciência diz que estamos todos programados para reagir perante determinadas características como as que tem a pequena personagem.

[AVISO DE SPOILER: Se não quer saber detalhes da série, não continue a ler este artigo]

Ela apareceu pela primeira vez apenas nos segundos finais do primeiro episódio: "The child", uma "criança" de 50 anos da mesma espécie do mestre Jedi Yoda que o caçador de recompensas Mandalorian devia apreender mas de quem acaba por se tornar efetivamente o guardião e protetor.

Triunfo de design e expressividade, com a mais ínfima atenção a todos os detalhes, a personagem não é uma criação digital, mas sim uma verdadeira marioneta operada por pessoas que lhe dão vida com a ajuda de efeitos visuais.

O impacto foi imediato e a popularidade gigantecas. As redes sociais transformaram instantaneamente "The Child" em "Baby Yoda" e o tema de vários "memes", numa adoração parece ser praticamente unânime. Os fãs, tendo ou não visto a série, transcendem idades, nacionalidades e credos.

"O pequeno 'Baby Yoda' não é um animal natural. Foi escolhido. Basicamente, foi mais do que mesmo domesticado para as características que consideramos queridas", explicou ao The Vulture Alan Beck, professor de Ecologia Animal da Universidade de Purdue (EUA).

Foi na década de 1940 que o etólogo e zoólogo austríaco Konrad Lorenz descreveu um conjunto de características físicas que levam as pessoas a ter o impulso de querer "aconchegar". Entre elas estão uma grande cabeça redonda e olhos arregalados, que sem dúvida correspondem ao "Baby Yoda".

Daniel Blumstein, professor do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da UCLA, não acredita que se trate de uma coincidência no império Disney: "Eles sabem o que estão a fazer".

Não seria algo inédito: o The Vulture recorda como o falecido paleontólogo e biólogo evolucionista Stephen Jay Gould escreveu em 1980 sobre como o estúdio transformou o Rato Mickey na década de 30 para o tornar mais infantil e cativante, nomeadamente com uma cabeça e olhos maiores.

"De certa forma estamos programados para responder a este tipo de características. Tipo, 'não é fofinho?', dizemos quando vemos um 'Baby Yoda' ou um cachorro ou um filhote de qualquer outra espécie, quando podemos não ter o mesmo sentimento quando vemos um adulto de outra espécie”, recorda Blumstein.

Um estudo recente sugere que os bebés humanos adquirem o auge máximo de "fofura" aos seis meses de idade, uma descoberta que pode ter a ver com as taxas de mortalidade infantil.

Samuel Levin, biólogo evolutivo e investigador associado da Universidade de Oxford, acredita que uma teoria semelhante se pode aplicar ao "Baby Yoda", com 50 anos e de uma espécie misteriosa: "Ele está claramente na fofura ideal".

Mesmo que não se trate de algo deliberado por parte da Disney, há algo que garante este especialista: "'Star Wars' passa-se há muito, muito tempo, e numa galáxia muito, muito distante. Enquanto estiver no nosso universo, sabemos que se aplicam as regras da biologia evolutiva".

E acrescenta: sejam quais forem as reações, "acho que a comunidade científica pode oficialmente declarar que o 'Baby Yoda' é fofo".

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