Trata-se da longa-metragem "Santana", que passa a estar à disposição dos mais de 160 milhões de assinantes desta importante provedora global de filmes e séries de televisão, sediada em Los Gatos, Califórnia, EUA.

Filmado em 2014, em Angola e na África do Sul, começou a ser editado em 2015, mas dificuldades financeiras e problemas administrativos retardaram a conclusão.

Só em Maio de 2020, finalmente, a equipa conseguiu terminar a edição da película, orçada em USD 1,4 milhões.

Este filme, de género acção, narra a história de dois irmãos, um polícia (DNIC) e outro militar (FAA), envolvidos na luta contra o crime organizado em Angola.

A trama coincide com a sede de ambos por vingança, uma vez que o principal criminoso está envolvido na morte da mãe dos dois protagonistas.

O filme policial, coproduzido pelo angolano Maradona dos Santos e por Chris Roland, americano radicado na África do Sul, centra-se nos meandros do mundo do narcotráfico.

A presença do filme angolano na plataforma Netflix pode significar o salto qualitativo por muitos esperado, uma vez que um provável sucesso poderá "virar os olhares do mundo" para o cinema nacional, há muito carente de apoios e oportunidades.

Pela importância a aceitação desta provedora global, que privilegia filmes e webséries exclusivas, contrapondo sucessos do cinema disponíveis em outras plataformas, não restam dúvidas de que a cultura e o cinema nacional marcam, a partir de 28 de Agosto, um passo histórico.

A entrada de Santana na "grelha" da Netflix ganha maior simbolismo não só por ser o primeiro filme angolano, mas, sobretudo, por se tratar do segundo dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa nesta plataforma, depois da trama moçambicana "Resgate".

Trata-se, pois, de uma plataforma que passou, em Maio de 2018, à The Walt Disney Company, tornando-se a empresa de entretenimento com maior valor de mercado do Mundo, estimado em 153 bilhões de dólares, com a qual Angola espera atingir novos patamares no cinema.

Por tudo que simboliza, o realizador da longa-metragem angolana, Maradona Dias dos Santos, não tem dúvidas de que a estreia do filme na Netflix é uma vitória do país.

O profissional espera, com essa proeza histórica, que as autoridades competentes passem a prestar mais atenção ao cinema nacional, tendo encorajado os outros cineastas a continuarem a trabalhar, dando, particularmente, ênfase à história de Angola.

"Não precisamos de abordar sempre acontecimentos estrangeiros. Temos tanta coisa do nosso país para contar, tantos heróis, que não é necessário recorrer à história dos outros. Vamos valorizar o nosso e tirar as nossas histórias do anonimato", expressou à ANGOP.

Maradona dos Santos sublinhou, por outro lado, que a Netflix não é o limite e que o próximo passo será colocar um filme angolano a concorrer para os óscares, independentemente da categoria.
Ficha-Técnica:

Título Original: Dias Santana

Título Adaptado: Santana

Actores: Paulo Americano, Hakeem Kae-Kazim, Raúl Rosário, Neide Vieira.

Realizador: Maradona Dos Santos

Roteiro: Chris Roland/Maradona Dos Santos

Produtor: Lee-Ann Cotton

Produtor executivo: António Didalelwa

Música: Graham Ward

Edição: Paul Speirs

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