Ele é uma das maiores estrelas de cinema do planeta, um dos únicos atores que se pode gabar de, nos últimos 15 anos, praticamente não ter fracassos de bilheteira no currículo, apesar da grande variedade de fitas que protagonizou. Nos últimos tempos,
Will Smith tem-se dedicado à carreira da família (a mulher é a atriz
Jada Pinkett-Smith, o filho Jaden protagonizou
«Karate Kid» e a filha
Willow é um sucesso na área da música) mas agora regressa em força à atuação, e logo com
«Homens de Negro 3», o terceiro filme da saga que o consolidou como astro de primeiro plano.

A importância de «MIB - Homens de Negro»

O primeiro
«Homens de Negro» foi o filme que provou que eu podia mesmo vingar no cinema. Imediatamente antes tinha feito
«O Dia da Independência», mas pensou-se que podia ser um êxito ocasional. O «MIB - Homens de Negro» apareceu logo a seguir e foi aí que Hollywood disse «espera aí… talvez ele fique connosco por algum tempo». E para mim foi também a primeira oportunidade de fazer comédia aquele nível, porque é muito difícil cruzar fantasia e humor, é um equilíbrio muito preciso, é muito fácil falhar o alvo. Por isso é que há tão poucos filmes assim. Neste terceiro filme fomos ligeiramente mais para o lado emocional, a história tem um centro emocional mais forte que nos outros dois filmes, conseguimos maturidade de temas sem excluir a comédia.

Trabalhar com Josh Brolin

É aterrorizante porque há um certo ritmo e uma certa química que se desenvolve quando trabalhamos muito tempo com uma certa pessoa. É como uma ótima amante, com a qual entramos em sintonia, de quem já percebemos as reações, e depois quando temos uma nova namorada tudo recomeça. O que foi interessante aqui é que com o
Josh Brolin, que interpreta o
Tommy Lee Jones em novo, a química foi absolutamente idêntica à que tenho com o Tommy, os ritmos, as entoações, foi completamente igual, eu fiquei surpreendido na primeira cena do primeiro dia porque que não tive de fazer nada de diferente do que fazia com o Tommy.

Um «blockbuster» com alma

No centro do «Homens de Negro 3» está a ideia de que os segredos e as mentiras crescem descontroladamente. Adoro poder pegar num «blockbuster» de verão com piadas e extraterrestres, e todo o centro do filme ser motivado pelo facto da personagem do Josh não ter a coragem suficiente para enfrentar a dor daquilo que lhe aconteceu e de como isso criou uma fissura na nossa relação. Adorei que isso estivesse no centro de um «blockbuster» de verão.

Pai de família

O «Homens de Negro 3» foi o primeiro filme em que participei como ator em quatro anos. Esse foi um período de crescimento, precisei de tempo para crescer enquanto artista. Nessa altura produzimos o «Karate Kid», protagonizado pelo meu filho Jaden, a minha filha Willow fez a música dela e a minha mulher Jada estava a fazer uma série de televisão. E foi um período de muito êxito, e muito inesperado. Nunca pensei que «Whip my Hair», da Willow fosse um sucesso tão grande: de repente, vi-me em digressão com ela e com o Justin Bieber. Portanto, foram quatro anos em que o papá se dedicou à expressão artística do resto da família e acabou por ser uma decisão unânime dos quatro que eu precisava de voltar a trabalhar.

Interpretar Barack Obama

O Barack Obama disse que se alguma vez fizessem um filme sobre ele, que eu deveria interpretá-lo. É por causa das orelhas, diz ele. Mas encontrámo-nos há uns meses e ele perguntou-me «então como é que vai o meu filme?». E eu respondi-lhe «ainda te falta escrever o fim». O que é interessante sobre Hollywood é que as pessoas dizem «ah é uma história à Hollywood, é uma fantasia completa» e a história do Barack Obama é muito mais improvável e disparatada do que qualquer história que alguma vez tenha sido contada naquela cidade. Vejamos: um tipo de cor torna-se presidente dos EUA. Se aquilo aparecesse em argumento, ninguém acreditava, ninguém levava aquilo a sério.

O poder das notícias falsas

Isso é muito frustrante e agora estou a tomar a postura de «não faço comentários», o que não é nada o meu estilo. Houve um tipo que veio ter comigo noutro dia e disse «já sei que compraste aquele edifício». E eu respondi «não comprei, não». E ele insistiu «mas seu sei que sim, estava na capa daquela revista». E eu voltei a dizer, «nem que Jesus Cristo tivesse escrito aquilo, não é verdade». E ele afirmou «ah, já percebi, é para manteres segredo». E lá disse «não, não é segredo, eu não comprei o raio do edifício». Ao que ele sublinhou «ok, Will, tudo bem, eu respeito a tua privacidade». Aí, o que eu percebi é que para as outras pessoas eu sou a fonte menos fiável para informações sobre a minha vida. Não interessa o que eu diga, as pessoas dirão sempre «não, ele está a dizer aquilo por alguma razão». E a parte frustrante é que não há absolutamente nada que eu possa dizer e a única forma de manter o poder é dizer «não comento». É não jogar o jogo.

Haverá um «Homens de Negro 4»?

Depois do segundo filme, não tínhamos a certeza se haveria um terceiro, mas agora que há e que parece estar a ser bem recebido bem, talvez venha a haver um quarto. E este surge a tanto tempo de distância dos outros dois que quase parece ser um primeiro filme. Por isso estou perfeitamente recetivo a fazer mais, acho que ainda consigo fazer mais um ou dois filmes da série.

Veja aqui as entrevistas do SAPO a
Barry Sonnenfeld e a
Josh Brolin.

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