Mafalda Leite e a também académica e docente universitária santomense Inocência Mata tomaram posse, quinta-feira, 25, em Lisboa, como membros correspondentes da Academia Angolana de Letras (AAL) em Portugal.

Com a posse das duas académicas, fica preenchido o quadro dos quatro membros correspondentes da AAL em Portugal, depois de, em 24 de Maio último, terem sido investidos nessas funções os docentes universitários Salvato Trigo e Pires Laranjeira.

“Foi uma honra e uma forma de reconhecimento do trabalho desenvolvido, no quadro das literaturas africanas e da literatura angolana, ter sido nomeada nas funções de membro correspondente da Academia Angolana de Letras”, comentou à ANGOP Mafalda Leite, através de uma mensagem via WhatsApp.

Segundo escreveu, trata-se de  um gesto que a “empenha ainda mais na necessária continuação do trabalho de investigação e de divulgação da literatura angolana”.

“Agradeço a Academia Angolana de Letras, e ao seu presidente, escritor Boaventura Cardoso, (por) esta distinção, que muito me sensibiliza e dignifica o meu trabalho, em prol das letras africanas”, destacou.

Membro correspondente de uma academia ou uma associação é um estatuto de prestígio, um reconhecimento da pessoa pelo que tem feito em prol do estudo e promoção do objecto à volta do qual a academia/associação se institui, mas que não reside no local onde está sediada a instituição.

A Academia Angolana de Letras (AAL) tem como foco questões relacionadas com  o estudo e a investigação da literatura angolana, da língua portuguesa, das línguas angolanas, assim como a relação entre elas.

Com o seu estatuto editado no Diário da República n.º57 III Série de 28 de Março de 2016, a associação privada sem fins lucrativos, de carácter cultural e científico, teve como outorgantes constituintes os escritores angolanos Henrique Lopes Guerra, António Botelho de Vasconcelos e Boaventura da Silva Cardoso.

A academia tem como patrono o primeiro Presidente da República de Angola, Agostinho Neto, e admite como membros os fundadores, efectivos e beneméritos, para além de colaboradores com a categoria de correspondentes, estes últimos podendo ter nacionalidade diferente que as dos restantes membros.

 Vida e obra de Ana Mafalda Leite

Ana Mafalda Leite é poetisa luso-moçambicana e investigadora científica na área das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.

Nasceu em Portugal, mas viajou para Moçambique, ainda muito nova, onde frequentou a Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.

Depois de uma estadia prolongada naquele país, regressou a Portugal, onde passou a exercer funções de docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Enquanto poetisa, publicou, respectivamente, em 1984, 1989 e 1992, os seguintes títulos: Em Sombra Acesa, Canções de Alba e Mariscando Luas (em coautoria com Luís Carlos Patraquim).

Quanto à sua obra de investigação científica, ela notabiliza-se pelos seguintes ensaios:

  • "A Ilha de Próspero de Rui Knofli ou a Ilha de Caliban na poesia moçambicana - notas em torno de um mito de origem cultural", in Camões, nº 6, Lisboa - Instituo Camões, 2000;
  • "Lusofonias - Quando o Ibo se revê em Lisboa", in JL, 2000;
  • "Lusofonias - As Novas Aventuras de Sandokan ou de Serpa Pinto?", in JL, 2000;
  • "Lusofonias - As Parábolas de Mia Couto", in JL, 2000;
  • "O Último voo do Flamingoo", in Metamorfoses, nº 1 - Lisboa - ed. Cosmos, 2000;
  • "Reflexões em torno dos conceitos de Regionalismo, Nacionalismo e Unicersalismo na Literatura Moçambicana", in Acta Colóquio sobre Literatura Moçambicana, Maputo, Universidade Eduardo Mondlane, Maputo, 2000;
  • "A Fraternidade das Palavras", in Actas da Festa da Língua, Sintra, CMS, 2001;
  • Prefaciou também a "Obra Completa de Corsino Fortes", publicada in A Cabeça Calva de Deus, Lisboa, D.Quixote, 2001.

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