A exposição é composta por 40 obras, algumas expostas pela primeira vez, onde os temas da liberdade, da mulher, da natureza e das interseções humanas se encontram bem patentes.

Nessa exposição Álvaro Macieira apresenta obras em acrílico sobre tela e mostra as mais variadas técnicas que foi utilizando ao longo das últimas duas décadas de carreira, compondo uma síntese que demonstra bem a linguagem pictórica desenvolvida pelo autor.

Por questões de biossegurança, o modelo de apresentação da exposição definido pelo Camões – Centro Cultural Português segue regras adaptadas ao momento presente. A utilização das redes sociais, com a exploração de conteúdos audiovisuais sobre a exposição, será uma constante.

As visitas presenciais estão limitadas a cinco pessoas por hora.

Para o director do Centro Cultural Português, Telmo Gonçalves, “Sínteses – Um Artista, Múltiplas Linguagens” dá a conhecer a diversidade estética que marca o percurso artístico do autor. Do abstracionismo mais surrealista, ao figurativo mais simbólico. Da linguagem gestualista da action painting, à mais pura representação pictórica do simbolismo africano.

“Generosidade e superação, palavras que nos surgem a qualificar a atitude do artista que, juntamente com o Camões – CCP, decidiu abraçar o desafio de organizar uma exposição para existir, sobretudo, no éter das redes sociais e em tempos de “distanciamento social”, reforçou o responsável.

Conforme Telmo Gonçalves, oferecer, neste momento, esta exposição de Álvaro Macieira é também um gesto de resistência. “É dizer que não nos deixamos vencer, por visíveis ou invisíveis. Não deixamos de procurar a beleza na vida de todos os dias. E acreditamos na arte para nos mostrar a vida além de nós, além do nosso presente”, asseverou.

Já do ponto de vista do embaixador de Portugal em Angola, Pedro Pessoa e Costa, o centro abre uma nova realidade que obriga a alterar a forma de se comunicar, assumindo o seu papel de espaço aberto a pontes e ao diálogo entre mundos de cultura.

“Um espaço que, cada vez mais, irá apostar neste diálogo entre artistas, culturas, num diálogo constante entre as indústrias culturais e criativas de Portugal e Angola”, frisou o diplomata.

Para o diplomata, as indústrias culturais e criativas devem ser tomadas a sério, tal como sucede com a conservação do património cultural, por serem factores de crescimento, desenvolvimento, retorno económico e de inclusão.

Com a exposição de Álvaro Macieira, o camões volta a abrir às suas portas, cinco meses depois do seu encerramento forçado pela pandemia da Covid-19, aos criadores e ao público angolano.

Álvaro Macieira é jornalista, escritor, artista plástico e consultor cultural. Nasceu a 13 de Maio de 1958, na vila de Sanza Pombo, na província do Uíge.

Como jornalista, foi Editor de Cultura na Angop – Agência Angola Press, onde começou em 1983. Colaborou para a Rádio Nacional de Angola, Televisão Pública de Angola e Tribuna Cultural da BBC – Londres, em Língua Portuguesa, a partir de Luanda.

Durante mais de 20 anos, dedicou-se à investigação dos vários aspectos da vida cultural angolana, percorrendo o país e tomando contacto com a realidade nacional, consolidando os conhecimentos que lhe vêm da sua vivência rural e do privilégio de ter viajado desde muito jovem pelas inúmeras regiões de Angola.

O paradigma da sua inspiração pictórica é composto pela poesia, a filosofia dos provérbios, os contos, as histórias que ouviu na sua infância rural, o contacto com as artes e as tradições africanas, as viagens, os museus que tem visitado pelo mundo e os lugares e sítios de memória.

Com o pintor alemão Horst Poppe e o angolano Augusto Ferreira fundou, em 2002, o grupo Conexão Cultural (www.conexao-cultural.com).

Em oito anos de intercâmbio e diálogo artístico, ora na Alemanha, ora em Luanda, Álvaro Macieira e o seu colega alemão fizeram várias exposições e pintura juntos (108 obras conjuntas de pequenas e grandes dimensões).

Três das suas obras estiveram expostas no Nord Art 2009, tida como a maior exposição colectiva de artes plásticas do mundo, realizada em Randsburg, norte da Alemanha.

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