A história de Angola pós-independência não se pode dissociar do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido que, de facto, tem governado o país desde a sua fundação, pese embora o contexto de guerra civil que o país atravessou. Em 1977, o movimento de Agostinho Neto adoptou o Marxismo-Leninismo como doutrina ideológica a nível interno e de Estado, inspirando-se no modelo que os países do Leste europeu, os do bloco soviético, para si adoptaram.

Basicamente, Angola submeteu-se a sistema de partido político único, com uma economia fortemente planificada e centralizada pelo Estado, e, em muitos casos, o culto da personalidade em torno do líder ou dos fundadores ideológicos funcionava como uma religião.

É precisamente este período quente da história de Angola que Kiluanji Kia Henda (nasceu em Luanda em 1979) quis transpirar através de conjunto de obras a que deu o nome “Under the Silent Eye of Lenin” (“Sob o Olhar Silencioso de Lenine”, em português). A instalação, dividida em duas partes e que aborda o culto do Marxismo-Leninismo, esteve patente na cidade de Londres até ao passado domingo, dia 8 de Outubro, na feira de arte Frieze.

O artista plástico, segundo a informação prestada pela organização da feira, “traça paralelismos entre as práticas de feitiçaria durante a guerra civil de Angola e as narrativas de ficção científica usadas pelas potências da Guerra Fria”. Ao longo da duração da feira (teve início no dia 5 de Outubro), a instalação de Kia Henda foi sofrendo alterações, tendo procurado mostrar como a fantasia ficcional e o seu poder de manipulação se transforma numa arma importante em situações de violência extrema”.

Segundo o texto que acompanha o projecto artístico, escrito pelo artista angolano, “apesar de ser uma doutrina religiosa que rejeitava a religião, a forma como o Marxismo-Leninismo foi doutrinado durante a revolução exigia uma lealdade extrema e uma crença inquestionável, similar às práticas religiosas”, acrescenta.

A feira Frieze, uma das mais importantes do mundo a nível artístico, reúne todos os anos dezenas de milhar de curadores, artistas, coleccionadores, negociantes de arte e críticos, fazendo dela uma das mais influentes da actualidade.

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