Em declarações à ANGOP, os criadores queixaram-se também da pouca valorização da sua profissão e do produto do seu trabalho, bem  como das dificuldades para a aquisição dos material para a produção de peças de arte.

O pintor e grafista Boaventura Mawete, que abraçou a profissão desde criança, avançou que só consegue mostrar as suas peças em exposições itinerantes, dedicadas a datas  festivas, a convite do sector da cultura, por falta de uma galeria ou recinto similar para o efeito.

Explica que a ausência de um espaço permanente dificulta as vendas e limita a criatividade dos artistas que se sentem desmotivados em continuar a produzir mais peças, frisando que muitos colegas seus até desistiram da profissão.

Disse haver promessas da Administração Municipal de Mbanza Kongo em ceder uma área para que os artistas plásticos e artesãos possam expor, de forma regular, os seus produtos, mas enquanto esperam as vendas estão a ser feitas a partir do seu atalier.

O artista plástico de 28 anos de idade, formado em Belas Artes em Kinshasa, República Democrática do Congo(RDC), fala também de dificuldades na aquisição dos materiais que utiliza no seu trabalho.

As telas de pano, a tinta da china, os pinceis, a cola, entre outro materiais, provêem de Luanda, na ausência destes no mercado local.

Por sua vez, Makuntima Ntualu, também artista plástico, que pinta quadros há mais de 20 anos, mas mostra-se esperançado numa solução em breve,  tendo em conta as promessas das autoridades administrativas locais.

“De momento, estamos sem espaço para mostrar o nosso trabalho ao público. Servimo-nos das acividades do governo para expor e vender as nossas peças de arte”, lamentou.

Já o técnico de arte e acção cultural do gabinete provincial da cultura, turismo e juventude e desportos, António Mpengo, garante que  ainda este ano a classe  ganhará uma praça das artes.

Informou igualmente que dentro de dias Mbanza Kongo terá uma oficina das artes, que servirá de espaço de treinamento de novos talentos, no âmbito da dinamização das indústriais culturiais na região.

No âmbito da jornada do Herói Nacional, que decorre de 10 a 17 deste mês, o sector da cultura no Zaire promove até sábado uma exposição que reúne mais de duas dezenas de peças de artes plásticas, incluindo peças de pano e trajes africanos de estilistas locais.

A cultura na província do Zaire controla, actualmente, 28 artistas plásticos e igual número de artesãos.

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