Annabella Sciorra, que afirma que o produtor de Hollywood Harvey Weinstein a violou nos anos 90, testemunhou esta quinta-feira contra ele no segundo dia do seu julgamento em Nova Iorque por crimes sexuais.

A atriz de “Os Sopranos”, de 59 anos, entrou no tribunal do estado de Manhattan usando um vestido azul marinho, de acordo com um jornalista da agência AFP presente na sala.

Weinstein, 67 anos, está a ser julgado por acusações de praticar sexo oral com a ex-assistente de produção Mimi Haleyi contra a sua vontade em 2006 e de violar a atriz Jessica Mann em 2013, em um caso emblemático pelo movimento #MeToo contra assédio e agressão sexual.

O Ministério Público espera que o testemunho de Annabella Sciorra ajude a convencer o júri de que o acusado é um predador sexual. A sua alegada violação ocorreu há tanto tempo que o crime prescreveu e, portanto, não faz parte do processo.

Para fazer isso, é necessário demonstrar que Weinstein atacou sexualmente pelo menos duas pessoas. Se ele for considerado culpado pelos crimes dos quais é acusado, o ex-todo-poderoso produtor de filmes enfrentará uma sentença máxima de prisão perpétua.

Nas suas alegações iniciais, a procuradora-adjunta Meghan Hast afirmou na quarta-feira que Weinstein transformou Sciorra numa viciada em Valium e "violou-a violentamente” depois de invadir o seu apartamento em Nova Iorque, numa noite do inverno de 1993-1994.

Então, fez sexo oral contra a sua vontade, acrescentou a procuradora.

Hast disse que Sciorra estava em choque e com muito medo de chamar a polícia. Contou a sua história publicamente em outubro de 2017 ao jornalista Ronan Farrow da revista The New Yorker, uma reportagem que contribuiu decisivamente para a queda em desgraça do produtor.

“Ele deixou-a física e emocionalmente arrasada, desmaiada no chão”, contou a procuradora.

Numa oportunidade posterior, Weinstein chegou ao quarto de hotel da atriz em Cannes em roupas íntimas, com uma garrafa de óleo de bebé numa mão e uma cassete de vídeo noutra.

Sciorra deverá passar por um duro interrogatório por parte da defesa.

Nas suas alegações iniciais, o advogado de Weinstein, Damon Cheronis, disse que Sciorra contou uma vez que “fez uma loucura” com o produtor de cinema.

“Não a descreveu como violação porque não era”, disse Cheronis.

Mais de 80 mulheres denunciaram Weinstein por assédio, agressão sexual ou violação desde o escândalo sobre os seus supostos abusos rebentou em outubro de 2017.

No entanto, a maioria dos crimes prescreveu e Weinstein só será julgado por supostos ataques contra Haleyi e Mann.

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