"Cabo Verde pertence às duas comunidades, então porque não fazer este exercício? Eu até sonho com um diálogo e uma partilha de agendas entre estas duas organizações [a francofonia e a lusofonia]", disse o embaixador de Cabo Verde em França, Hércules Cruz, em declarações aos jornalistas.

A celebração da lusofonia e da francofonia aconteceu numa sala com cerca de 200 pessoas na Câmara Municipal do 17.º bairro da capital francesa e a ideia de juntar lusófonos e franceses numa celebração única teve como objetivo mostrar que a língua portuguesa e as diferentes culturas dos países que se expressam na língua de Camões devem servir como "uma alavanca" na identidade individual.

"Queremos uma identidade que sirva, não para ser uma coisa para diminuir, mas que sirva como alavanca para os portugueses em geral que vivem em França, mas também para os cabo-verdianos e para grande parte do nosso mundo lusófono", indicou ainda o embaixador cabo-verdiano.

O momento serviu para reforçar os "laços fortes" que este bairro parisiense tem com a comunidade lusófona.

"Temos laços muito fortes com a comunidade lusófona no 17.º bairro. Temos laços fortes com a comunidade portuguesa, muito implementada no bairro e muito integrada. Logo pareceu-me lógico ter uma noite aqui dedicada à lusofonia", afirmou Geoffroy Boulard, presidente da Câmara do 17.º bairro.

A noite contou com alunos de português da Association Culturelle pour les Etudes Portugaises, que declamaram poemas de autores oriundos de todos os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), e ainda uma mesa redonda com o músico franco-brasileiro Philippe Baden Powell e a cantora franco-cabo-verdiana Mariana Ramos.

A iniciativa é uma forma de levar as comunidades lusófonas e identificarem-se com as suas raízes.

"Aqui em França, a lusofonia é um pouco esquecida. Mesmo quando se trata da comunidade guineense, temos pessoas que se identificam mais com a francofonia do que com a lusofonia e quanto mais vamos fazendo atividades deste género, mais estamos a reforçar a nossa presença", indicou Filomena Mascarenhas Tipote, embaixadora da Guiné Bissau em França.

Para manter esta presença, o Brasil continua a estudar a criação e implementação de um instituto próprio para a divulgação da língua portuguesa.

"Ainda está muito no começo e estamos a estudar. Evidentemente queremos fazer algo inspirado no instituto Camões, que se chamará Instituto Guimarães Rosa e acho que isso vai dar um bom empurrão na difusão da língua portuguesa no mundo", afirmou Luís Fernando Serra.

Em vários momentos da noite, os representantes dos países lusófonos lembraram o facto de a França ter desde 2018 o estatuto de país observador na CPLP e como isso representa uma oportunidade para as comunidades lusófonas em França, mas também para a francofonia nos países de língua oficial portuguesa.

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