As imagens foram premiadas em Portugal e estiveram em destaque na abertura do Exodus Aveiro Fest, um evento organizado pela National Geographic no norte de Portugal no final do ano passado e onde o SAPO aproveitou para saber mais sobre esta relação entre a vida selvagem e a original lente usada por Ana Brígida.

“Tinha muita vontade de ver estes animais de que tanto ouvimos falar e que crescemos a ver nos documentários da vida selvagem que passavam ao domingo na televisão”, explica ao SAPO Ana Brígida, fotógrafa nascida em Portugal com trabalhos realizados um pouco por todo o mundo: da Mongólia a Nova Iorque ou da África do Sul à Islândia.

Desta vez de férias no Parque Nacional Kruger, na África do Sul, “tinha pouco material, só uma pequena câmara com uma lente”. “Vimos logo uma hiena com sangue na boca. Tinha acabado de atacar um hipopótamo. Eu bem tentei fotografar, mas, com o material que tinha, parecia que estava a fotografar uma formiga na selva, de tão pequenina que a hiena aparecia. Não dava para fotografar assim”.

“Comecei a pensar nas leis básicas da fotografia, eu precisava de um zoom e de um objecto que fotografasse. Pedi à senhora ao pé de mim os binóculos emprestados, usei o telemóvel e foram surgindo estas imagens”, explica-nos Ana.

“Binóculos na Savana” foi publicado na Rede Angola, deu origem a um livro e ganhou o Prémio Estação Imagem, na categoria Ambiente, em 2017.

Passados dois anos do prémio, Ana Brígida volta a mostrar ao público os animais selvagens através dos binóculos no Exodus Aveiro Fest e explica: “Escolhi este trabalho para apresentar neste festival porque é muito diferente do que estou habituada a fazer. Normalmente, sou enviada para trabalhos ou os que faço por minha conta costumam ser mais documentais e de temas que exigem pesquisa prévia. Quis mostrar que o trabalho pode aparecer em qualquer lado, mesmo quando não estamos preparados. Basta estarmos atentos e sermos criativos.”

Entre a expectativa e a Natureza

"Queria conhecer a costa, alugámos um carro e fizemos a costa toda. Eu acreditava que poderia ser diferente do imaginário que eu idealizava, queria provar a mim mesma que havia um lado que não era assim tão mau. Só recebemos a informação dos problemas", explica Ana Brígida.

"Mas realmente quando uma pessoa chega percebe que as coisas são muito complicadas. Eu sei que há uma história complicada e isto demora muitos anos a atenuar, mas deve existir outra parte. De repente, há uma parte de Natureza que eu não conhecia e que fiquei muito pressionada e com vontade de conhecer mais. De qualquer modo, continuo intrigada com a África do Sul e tenho vontade de conhecer mais."

Ainda com trabalhos por desenvolver também em Moçambique, a fotógrafa refere várias vezes a vontade de voltar ao continente africano. Além dos animais selvagens e da Natureza, há ainda outros temas, maioritariamente sociais, que estão no topo dos assuntos de interesse da fotógrafa.

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