Uma fonte oficial disse hoje à Lusa que o antigo Ministério da Cultura, agora fundido no Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, no âmbito da remodelação dos órgãos ministeriais, cabimentou a verba de um milhão de kwanzas às associações como "medida para ajudar a classe artística".

Segundo a mesma fonte, que reagia ao "clamor dos artistas", que em período de isolamento social apontam dificuldades para sobreviver devido ao cancelamento de actividades músico culturais, a decisão de "apoio aos artistas" foi tomada antes da fusão dos órgãos ministeriais.

Artistas e produtores culturais angolanos alertaram, na semana passada, que têm "dificuldades em sobreviver" neste período de confinamento social e de actividades culturais canceladas, devido à pandemia da covid-19, defendendo apoios das autoridades e "aplicação urgente" dos direitos autorais.

Segundo o director executivo da Nova Energia, produtora de eventos artísticos e culturais, Yuri Simão, o momento continua a ser desafiante para todos os intervenientes do sector porque "é muito difícil sobreviver numa situação em que as empresas não trabalham".

"No nosso caso, tínhamos produções em andamento e tivemos de parar tudo com custos já embutidos", disse Yuri Simão, em declarações à Lusa, admitindo a possibilidade de "migrar para as pequenas e médias empresas e daí absorver apoios do Estado".

Para o responsável da Nova Energia, produtora do conhecido espectáculo musical "Show do Mês" que em março viu adiados dois espetáculos, o cenário "continua e será difícil para todos aqueles que trabalham com a cultura".

Porque, adiantou, "um dos aspectos que pode ser muito negativo é a questão de as pessoas terem medo de voltar à rua e demorarem muito tempo para se voltar a adaptar e habituar esse movimento de massas".

Em período de isolamento social, muitos artistas angolanos, sem rendimento fixo, servem-se das plataformas digitais para realizarem espectáculos gratuitos e com apelos à necessidade da observância das medidas de protecção.

Yuri Simão considerou, por outro lado, que devido à ausência de uma interligação entre as plataformas digitais, o sector financeiro e o de entretenimento "é difícil por via de espectáculos pela Internet sem os artistas absorverem aí qualquer rendimento".

Já a cantora angolana Selda Portelinha também considerou difícil a actual situação dos artistas, "principalmente das pessoas que vivem da arte", defendendo uma "busca urgente" de alternativas para colmatar a falta de rendimentos.

"É uma classe que vai sofrer muito ainda depois de esta pandemia estar resolvida, vai ser uma classe ainda afectada porque acredito que o distanciamento social vai permanecer durante algum tempo mesmo depois da pandemia", afirmou.

Angola regista já 27 casos positivos de infecção pelo novo coronavírus, nomeadamente 19 casos activos, seis recuperados e dois óbitos. O país cumpre hoje o terceiro dia da segunda prorrogação do estado de emergência que se estende até 10 de maio.

A primeira prorrogação decorreu de 10 a 25 de Abril, sendo que o primeiro período de excepção temporário decorreu entre 27 de março e 10 de Abril.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 211 mil mortos e infectou quase três milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Perto de 832 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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