Para fazer cumprir as deliberações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e das autoridades sanitárias angolanas, ficam sem efeito, desde já, espectáculos musicais, sessões de teatro, conferências e encontros de trabalho sobre finanças e política.

A medida surge 24 horas depois de a Comissão Interministerial para a Resposta à Pandemia do COVID-19 recomendar a adopção de medidas de contenção social.

A comissão sugere que as pessoas evitem grupos com grandes aglomerados, em actividades desportivas, culturais, religiosas, familiares e de lazer.

Desencoraja igualmente a permanência dos cidadãos em espaços fechados, para reduzir a possibilidade de contaminação do vírus, que já se alastrou em mais de 146 países.

No quadro dessas recomendações, foram canceladas, entre outros, um Encontro sobre Oportunidades Para a Boa Governação, previsto inicialmente para 25 de Março.

Promovido pelo Centro de Estudos para a Boa Governação, o evento iria debater as estratégias de materialização da reforma da administração do Estado e da Justiça, além dos caminhos para extirpar a corrupção, garantir a transparência e a boa governação.

Previa congregar especialistas em finanças, direito e governação, de Angola, Portugal e Moçambique, entre os quais a directora nacional do Serviço de Recuperação de Activos da Procuradoria Geral da República, Eduarda Rodrigues, a ex-membro do Parlamento Europeu, Ana Gomes, e activistas cívicos e docentes universitários.

Outros eventos que ficam adiados, sem data, por causa do COVID-19, são os concertos da cantora Céline Banza, da RDC, agendados para 18 e 20 deste mês, respectivamente.

Os espectáculos seriam promovidos pela Casa das Artes, que já anunciou, em nota, o cancelamento de todas as actividades públicas programadas até 31 de Março.

Assim, estão canceladas as estreias das peças de teatro "A Orgia", dirigida e encenada por José Mena Abrantes (dia 27), e "O Gato das Botas", do grupo Ulikanga (dia 28).

De igual modo, está cancelada a estreia da peça "Beiral de Cristal", do Grupo Henrique Artes, prevista para 21 e 22 de Março, na Casa das Artes, em Luanda.

Trata-se de uma obra que retrata o dia-a-dia dos idosos no lar de acolhimento Beiral, destacando as várias vicissitudes por que passam, como uma eventual "falta de amor".

Pelas mesmas razões, a promotora Nova Energia divulgou o adiamento do Show "Vozes de Março", marcado para 27 e 28 deste mês, no quadro do programa Show do Mês.

A ANGOP apurou que outros eventos programados para esse mês estão em vias de ser cancelados, nos próximos dias, em Luanda e noutras regiões do país.

A pandemia do COVID-19 já infectou mais de 189 mil pessoas em todo Mundo, das quais mais de 7.800 morreram. Das pessoas infectadas, mais de 81 mil recuperaram.

O vírus surgiu na China, em Dezembro último, e espalhou-se rapidamente, o  que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar  situação de pandemia.

Os países mais afectados, depois da China, são a Itália, com 2.503 mortes em 31.506 casos, o Irão, com 988 mortes (16.169 casos), a Espanha, com 491 mortes (11.178 casos) e a França, com 148 mortes (6.633 casos).

Face ao avanço da pandemia, vários países adoptaram medidas excepcionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Angola não registou qualquer caso positivo do vírus, mas tem reforçado as medidas de segurança nos aeroportos e nas fronteiras.

O país decretou quarentena obrigatória, de no mínimo 14 dias, para todos os cidadãos nacionais e estrangeiros residentes provenientes de Portugal, Espanha e França.

As autoridades listaram até ao momento sete países cujos passageiros têm entrada restrita em Angola: China, Coreia do Sul, Itália, Irão, Portugal, Espanha e França.

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