O primeiro concerto online pago em Angola, por usuários de internet, foi realizado em 30 de maio e os três últimos decorreram no último fim de semana. No global, mais de 200 pessoas adquiriram ingressos online pelo site www.soba-store.com.

"É um projeto cujo objetivo principal é ajudar os artistas e criadores de conteúdos de uma forma geral a rentabilizarem os seus trabalhos, também educar a população que faz uso da internet, que tem poder de compra, a consumir material pago online e em kwanzas", disse hoje à Lusa Cláudio Fernando Kiala, da empresa SOBA Empreendimentos.

Segundo o rapper angolano, também conhecido por CFKAPPA, a firma, gestora da plataforma SOBA Channel, é acreditada pela banca e tem estrutura de pagamentos que permite a "qualquer utente de internet ter gratuitamente uma carteira digital".

O mecanismo visa "atingir essas pessoas que se enquadram nesse grupo e permitir que gere nelas uma facilidade e necessidade de consumir material pago feito em Angola, desde concertos, palestrantes e outros conteúdos online", disse.

Cláudio Fernando Kiala realçou que todos os conteúdos da SOBA Channel são limitados aos ingressos existentes e "exclusivamente privados para as pessoas que os adquirem".

"Isto permite especificamente que cada pessoa que compre pela nossa plataforma consiga receber automaticamente, sem qualquer intervenção humana, um link específico para acesso à sala, com uma devida password, e o que nos permite que tenhamos um evento multifacetado", adiantou.

O primeiro concerto online pago em Angola teve como figura de cartaz o músico CFKAPPA, no fim de semana passado atuaram o músico Kizua Gourgel, o humorista Gilmário Vemba e os DJ Ritchelly e Vado Mix.

Artistas e produtores angolanos alertaram, em finais de abril, que têm "dificuldades em sobreviver" neste período de confinamento social e de atividades culturais canceladas, devido à pandemia da covid-19, defendendo apoios das autoridades e "aplicação urgente" dos direitos autorais.

No entanto, para acudir às dificuldades dos artistas, a União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) angolana começou em maio a distribuir cestas básicas aos artistas mais carenciados.

Para conter a propagação da covid-19, o Presidente angolano, João Lourenço, decretou estado de emergência que durou dois meses, entre 27 de março e 25 de maio de 2020, onde diversas atividades como culturais, desportivas e académicas foram canceladas.

Angola, que desde 26 de maio vive situação de calamidade pública, conta atualmente com 91 casos positivos da covid-19, sendo 63 ativos, quatro óbitos e 24 recuperados.

O decreto presidencial que declara situação de calamidade prevê a partir de hoje, 08 de junho, o reinício de funcionamento de museus, teatros e monumentos, mas não aponta um horizonte para o recomeço das atividades artísticas e culturais (como espetáculos musicais).

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 402 mil mortos e infetou mais de sete milhões de pessoas em 196 países e territórios.

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