O catedrático e crítico literário norte-americano Harold Bloom que, nos anos 1990, descreveu José Saramago como “o maior romancista vivo”, morreu na segunda-feira, aos 89 anos, num hospital de Connecticut, EUA, anunciou a sua mulher.

Segundo Jeanne Bloom, o professor de Yale já estava com problemas de saúde há algum tempo, apesar de continuar a escrever livros e a dar aulas até à semana passada.

Bloom escreveu mais de 20 livros, tendo sido finalista do National Book Award e membro da Academia Americana de Artes e Letras.

O livro mais conhecido de Harold Bloom, “A Ansiedade da Influência”, explica a tensão de um escritor em relação ao escritor maior da sua nação, exemplificando que todos os escritores ingleses vivem na ansiedade da influência de Shakespeare, como os russos vivem em relação a Tolstoi e os portugueses a Luís de Camões.

Bloom considerou o Prémio Nobel da Literatura português, José Saramago, como “o maior romancista vivo”, no final da década de 1990, e “um elemento permanente do cânone ocidental”.

No entanto, em entrevista ao jornal “El Mercurio”, de Santiago (do Chile), em setembro de 2002, avançou que o português não devia falar de política após indicar que existiam poucos génios literários ainda em vida, juntando-o ao colombiano Gabriel Garcia Marques, e dos norte-americanos Thomas Pynchon e Phillip Roth.

“Ser génio literário não significa ser inteligente”, explicou Harold Bloom, que sublinhou: “Por exemplo, Saramago esteve em Ramallah e disse que aquilo era um novo Auschwitz. Uma coisa que é não só uma estupidez, como também imperdoável. Conheço Saramago, estivemos muito tempo juntos e admiro as suas obras, que são excelentes. Mas quando fala de política, vem ao de cima o estereotipo estalinista de sempre”.

“Oxalá José Saramago continue a escrever coisas maravilhosas, mas que não fale de política, nem de teologia”, rematou nesta entrevista o crítico literário norte-americano.

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