À conversa com o SAPO, a escritora desabafou que, por consequência de algumas dificuldades, não conseguia fazer até então, em Luanda, o lançamento do seu livro já apresentado em Lisboa, Portugal. E quando finalmente tudo parecia correr bem, eis que surgiu a pandemia da Covid-19, pesadelo que a obrigou a pintar o sonho com novas cores.

“Refleti muito e cheguei à conclusão que o que eu mais quero é partilhar, nem tanto vender. Por isso decido agora ajudar para o entretenimento do meu povo, contribuindo igualmente para a cultura, através do enriquecimento da literatura nacional. Por causa da Covid-19 não iria agora conseguir fazer o lançamento convencional e, se calhar, nem mesmo quando tudo passar será aconselhável, logo, surgiu-me assim a ideia de apostar num formato digital”, explicou a artista que promete não desistir do sonho de vir a apresentar em solo angolano a obra em formato físico.

De acordo com a escritora, esta obra passa uma mensagem de força, perseverança e motivação através da experiência de cinco distintas mulheres. A mesma oferece uma reflexão sobre como as decisões, por mais insignificantes que possam parecer, acarretam consequências irreparáveis.

Karen Pacheco

O que dizer da forma como a sociedade olha para a literatura?

“Quando se fala de literatura em Angola todo a gente aplaude, todos dizem que não é dado o devido valor, que os escritores não são reconhecidos, etc. Tudo é muito bonito, porém ninguém na verdade ajuda na descoberta de mais leitores. Nem toda a gente tem de gostar de ler, mas é importante realçar que para que uma sociedade seja saudável, um dos requisitos mais importante é as pessoas serem críticas e verdadeiramente pensantes. Porque de milhares de anos até aos dias de hoje, é pela leitura que mais se aprende. Ninguém é obrigado a ler livros de 100/200 páginas, mas ler o jornal ou um livro de bolso faz sempre a diferença. Os livros expandem o nosso vocabulário e ajudam na compreensão e interpretação”, sublinhou Karen Pacheco.

Em sustento ao ponto anterior, a jovem realçou a importância da aposta nos indivíduos que acreditam na literatura, seja a ler ou a escrever. Uma tarefa que incumbiu a cada um dos cidadãos que compõem a sociedade.

“Reclamamos muito da nossa sociedade mas reclamamos sem sequer tentar. Não temos uma cultura já enraizada na leitura mas as grandes personalidades do nosso país eram estudiosos, sempre escreviam, liam e debatiam, não só constatando problemas, mas sempre apresentando soluções”, acrescentou.

Karen Pacheco

Existem mais sonhos além do que se pode ler?

Entre várias apostas que nos pôde confidenciar, “evoluir em todas as áreas do percurso como escritora, chegar aos mais competitivos mercados internacionais, ter oportunidade de escrever guiões de novelas, ver as obras retratadas em filmes e peças teatrais bem como ajudar no processo de alfabetização e revolução da literatura angolana”, compõem a vasta lista de desejos desta jovem talento que ingressou no mundo das letras por influência de uma prima assumidamente apaixonada pelo encanto e magia dos livros.

De referir que, além de escritora, Karen Karina Miranda Pacheco é também assistente jurídica e estudante do último ano do curso de Direito, na Universidade Óscar Ribas, em Luanda.

Com recurso às redes sociais, a autora revelou ao público a sua obra de estreia numa cerimónia online que contou, entre várias surpresas, com a mestria da apresentadora Patrícia Pacheco e a irreverência da cantora Carla Prata.

Baixe aqui a obra “O Meu Colar de Pérolas”.

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