Trata-se de um romance histórico com duas histórias narradas em paralelo. A do narrador auto-digético, Nkuku, que conta a sua experiência traumática desde o início da luta de libertação, em 1961, até 1987, e a história da fundação, na Floresta da ilha de Luanda, de um Reino, cuja população é composta por sete deficientes mentais (vulgo malucos), governados por uma mulher, a Rainha Eutanásia.

Segundo o autor, este livro é uma homenagem a essa classe de sombras que ninguém vê passar no tempo.

José Luís Mendonça considera que “o registo histórico que a obra fixa é essencial para contrariar o branqueamento do passado, elevando a heróis as vítimas e o homem anónimo”.

Considera ainda que a localização espacial do romance na Floresta da Ilha é um planfleto contra a destruição ecológica da Ilha de Nossa Senhora do Cabo. “É uma homenagem às casuarinas, essas belas árvores coníferas da nossa terra”, reforça.

José Luís Mendonça nasceu no Golungo Alto (Cuanza Norte) e aparece no universo das letras com Chuva Novembrina”, com a qual venceu, em 1981, o prémio Sagrada Esperança.

É ainda autor da obra “Um Voo de Borboleta no Mecanismo Inerte do Tempo”.

Em 2015 foi-lhe outorgado o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Literatura.

Actualmente dirige e edita o Jornal Cultura, quinzenário angolano de Artes/Letras, e desenvolve projectos de fomento da leitura e da aprendizagem da língua veicular nas escolas e junto de organizações juvenis.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.