Esta preocupação foi manifestada hoje, quarta-feira, à Angop, pelo responsável do museu, Festo Sapalo, ao salientar que a campanha, que já permitiu recolher perto de 550 peças diversas, inclui a gratificação às pessoas que procederem a entrega dos artefactos em sua posse.

Mesmo sem dinheiro, informou que as acções de sensibilização das pessoas prosseguem, dando a conhecer que, durante o conflito armado, foram retirados do museu mil e 100 peças, 600 das quais ainda não foram devolvidas, por falta mesmo de dinheiro.

De acordo com Festo Sapalo, nos últimos três anos a recolha tem sido muito fraca, afirmando que o ano passado foram recolhidas 12, menos cinco que no ano anterior, e este ano ainda só foram recolhidas três peças.

Sobre as deste ano, disse tratar-se de uma medalha de bronze de 1926, da associação comercial, agrícola e industrial do Huambo, cujo edifício actualmente é a sede do MPLA, uma colecção de três notas de 500 escudos, de 1926 e 1973 (era colonial), uma nota de 100 kwanzas, de 1979, e outra de cinco mil kwanzas reajustado, de 1995.

As notas, segundo o director do museu, vão fazer parte da futura colecção de moedas nacionais, que já conta, por agora, com 320 moedas metálicas de escudos e centavos usados na era colonial.

Já a medalha de bronze, disse, será em breve incluída nas colecções de Norton de Matos, fundador da cidade do Huambo, e Vicente Ferreira, que projectou a cidade e mudou-lhe o nome, em 1928, para Nova Lisboa.

Criado em 1956 e inaugurado um ano depois, o museu etnográfico do Huambo conserva, actualmente, 984 peças diversas, desde esculturas de madeira, pedra-sabão, bronze e gesso, objectos arqueológicos, máscaras tradicionais, fotogravuras da cidade entre 1912 a 1974, instrumentos rudimentares de caça, pesca e cultivo, plantas, folhas e raízes medicinais, vestuário feito de casca de árvores, utensílios diversos da medicina tradicional.

Segundo Festo Sapalo, o funcionamento do museu está intrínseco ao gabinete provincial da Cultura, Turismo, Juventude e Desportos, por não possuir, até ao momento, um diploma legal que o confere autonomia financeira e administrativa.

Como consequência, afirmou que a instituição está limitada quanto aos trabalhos específicos de pesquisa e recolha de peças de alto valor museológico.

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