Sobre o artista
Agostinho José João nasceu em Luanda a 16 de Maio de 1982. O nome artístico Kanundula surge no início dos anos 90, com a banda desenhada Mankiko, época em que assomam também os primeiros contactos com o desenho e a pintura.

Com vontade de aprender e desenvolver os seus conhecimentos nas artes plásticas, ingressa no Instituto Nacional de Formação Artística (INFA), onde estuda pintura entre 2003 e 2006.

Ao longo do seu percurso artístico participa em algumas exposições colectivas de que se destacam a Ensa Arte, em 2006 e 2012, a Coopearte Celamar, em 2006 e 2007 e, depois, entre 2009 e 2012 – ano em que também completa uma licenciatura em Psicologia do Trabalho. Entre aquelas datas participa no I Encontro Nacional de Artes Nacionais (2007) e na 1ª e 2ª Trienal de Luanda, em 2007 (BAI) e 2010 (UNAP). A nível individual, apresentou “A Interacção entre as Artes Plásticas e a Psicologia”, em 2012, na Faculdade de Ciências Sociais. De destaque é ainda a autoria da capa da brochura da empresa ENI na FILDA, nas edições de 2011, 2012 e 2013.

Actualmente é professor de Desenho e de escultura, no Instituto Superior de Artes (ISART), formador em escultura contemporânea e formador de professores de educação visual e plásticas. Trabalha igualmente em pesquisa no tratamento da cerâmica e escultura tradicional.

Sobre o artista e sobre a exposição

Agostinho Kanundula surge como artista sem grande esforço, no sentido em que as artes fazem parte dele desde que se lembra.

Com jeito para as coisas técnicas, como a soldadura, através da qual sempre fez da serralharia uma arte, não terá sido surpresa que tivesse escolhido a via artística, talvez apenas o facto de ter enveredado pela formação em pintura pudesse levar os que o conhecem bem a estranhar, ainda que por breves instantes.

A licenciatura em psicologia é que poderia ter parecido surgir a contra-corrente, para um artista nato, mas acabaria por ser um complemento fundamental para o seu percurso artístico, numa trajectória em que procura conciliar a arte contemporânea com a tradição.

Na coabitação entre a pintura e a escultura, eis o diálogo entre dimensões que a crítica identifica na obra do artista, fica patente a sua formação académica. As telas e os diferentes suportes utilizados por Kanundula, das telas às chapas metálicas ferrugentas e às madeiras talhadas com mão de mestre, são partes de um todo artístico, fortemente influenciado pelos povos das Lundas. Espera-nos um diálogo inter-dimensional intenso na Galeria Tamar Golan.