Cinquenta anos depois da sua criação por Chico Montenegro, Didi da Mãe Preta, Tony do Fumo, Augusto Chacaya, Kangongo, Mingo e Verry Inácio, o agrupamento Os Jovens do Prenda continua a ser uma das principais referências da música popular angolana, deixando em palco a riqueza e o valor da identidade cultural angolana.

Detentor de um rico cardápio musical, onde se destacam temas como  “tendinha”, “seguida de “desepero”, “Chiquita”, “nguenda nyubeka” e “longa marcha”,   "majame", "samba samba", "nova cooperação"  entre outras que tem provocado ” um alvoroço entre as pessoas nos palcos por onde actua, o agrupamento, que já vai na sua quarta geração, continua fiel a sua linha rítmica e melódica para a satisfação da enorme legião de fãs espalhados pelo país.

Apesar da idade, o agrupamento, que mostra-se  com uma jovialidade, cada vez mais um acérrimo defensor dos ritmos nacionais, deixando, em todos os momentos que sobem em palcos o cheiro da essência da música angolana de raiz, fundido no ritmo e no estilo de dança semba.

O agrupamento tem como característica peculiar o seu andamento rítmico. Os Jovens do Prenda têm uma sonoridade exclusiva, obtida pela fusão de ritmos locais com forte influência de um importante músico que fez história na música popular do Congo Democrático, o guitarrista Dr. Nicó. Tendo passado pelo grupo grandes guitarristas que acentuaram o seu sou, como Mingo, Alfredo Henrique, Diogo Sebastião e Quintino.

Surgimento

Os Jovens do Prenda surgem em 1968 com a designação Jovens do Catambor, passando ainda nesse mesmo ano a chamarem-se Jovens da Maianga e, finalmente em 1969, passam a ter a designação actual.

O nome surge a conselho de Manguxi, um empresário do Sambizanga que era proprietário do Salão Braguês e alugava aparelhagens, que sugeriu que o grupo tivesse a denominação do bairro de onde são provenientes”, dai o nome Os Jovens do Prenda, já que o grupo era originário deste histórico de bairro Luanda.

A formação de Os Jovens do Catambor já possuía um leque impressionante de músicos onde se destacavam nomes como Manuelito Maventa, (viola solo), Zeca Kaquarta, (tambor), Napoleão, (puita) e Juca, (dikanza). José Keno, o guitarrista emblemático dos Jovens do Prenda, entrou para o grupo, vindo dos Sembas, com a sua entrada, fica completa, em 1969, a primeira formação de Os Jovens do Prenda, com José Keno (viola solo), Zé Gama (baixo), Luís Neto (voz), Kangongo (tambor baixo) e Chico Montenegro (tambor solo).

O grupo tem sofrido, muitas cisões e abandonos, levando a que Luís Neto, um dos elementos do grupo, afirmasse: “As pessoas nascem e crescem e cada um vai para onde mais lhe agrada. Os Jovens do Prenda não são só música, é uma verdadeira escola…”

Renascimento

Após um período de ausência (1974 a 1981), os Jovens do Prenda voltam a aparecer no panorama musical angolano, gravando o seu primeiro álbum "Música de Angola, Jovens do Prenda", posteriormente reeditado como "Mutidi". Nele participaram Zé Keno (viola solo e voz), Alfredo Henrique (viola ritmo), Carlos Timóteo (baixo), Avelino Mambo (bateria), Zecax (voz), Massy (saxafone), Fausto (trompete), Verrynácio (tumbas), Chico Montenegro (bongós e voz), Luís Neto (Dikanza) e Gaby Monteiro (percussão e voz).

O segundo álbum "Samba-Samba" é lançado em 1992, levando posteriormente à saída de um dos seus músicos mais emblemáticos, Gaby Monteiro, passando o grupo a ter na formação Manuel Prudente Ramos Neto "Joca", (viola solo), Carlos Timóteo "Calily", (baixo), Zé Luís (viola ritmo), Charles Mbuia (contra solo), Manuel Vicente (tumbas), Patrício Smoke (bateria), Luís Neto e Chico Montenegro (vozes), Conceição Alves Alberto (trompete) e Luís Massy (saxofone).

O grupo sofreu posteriormente imensas remodelações, mas tem-se sempre mantido activo até à actualidade, tendo lançado recentemente um novo álbum.

Discografia

Vários Singles na década de 1970. Mutidi, (1982, IEFE, Discos, Intercontinental Fonográfica, Lda)

Samba-Samba, (1992, Endipu-UEE, Empresa Nacional do Disco e Publicações)

Kudicola Kwetu, (2003)

Iweza, (2010)

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