Durante uma ronda efectuada pela Angop hoje (quinta-feira) em  algumas livrarias, os responsáveis destes locais afirmaram que têm dificuldades em trocar o Kwanza por moeda estrangeira e  realizar as importações.

O gerente da livraria Barquinho, Afonso Cambundo, reconheceu ser difícil o acesso a moeda estrangeira para importação de livros, condição fundamental para o funcionamento da livraria.

Afonso Cambundo avançou que o outro problema passa pela taxa de câmbio praticada, que é muito flutuante, exemplificando que “uma nota de Usd 100 fica a 50 ou 55 mil kwanzas no mercado informal, oscilação que influência na aquisição da nota”.

O gerente explicou que os Bancos, onde se encontraria a nota a 35 mil kwanzas, criam dificuldades na aquisição dos valores, sendo obrigado a alternar a compra de moeda no Banco e no mercado informal.

A responsável da livraria “Irmãs Paulinas”, Marlise Heckler, apontou a aquisição de divisas como um dos factores que causa  oscilação ao funcionamento daquela casa de venda livros e material religioso.

É de opinião que os impostos, para quem vende livros, deviam ser analisados para permitir maior investimentos as livrarias.

O processo de desalfandegamento da mercadoria, que por vezes é muito burocrático, foi outro constrangimento apontado por Marlise Heckler, referindo que todos estes factores contribuem para que os livros cheguem as mãos das pessoas encarecidos.

A responsável lembrou que há 20 anos, logo no início dos trabalhos das Paulinas, em Luanda, houve uma injecção de livros no mercado e as pessoas tinham maiores disponibilidade financeira para comprar, hoje, fruto de vários factores, está difícil para quem vende e para quem compra.

Já Ernesto Cunha, da livraria Chá de Caxinde, refere que fruto das dificuldades para aquisição da moeda estrangeira o seu estabelecimento também apresenta dificuldades, e pede a tomada de medidas urgentes para mudar o quadro.

Ernesto Cunha afirmou que os desafios para a importação faz com que a livraria tenha dificuldades de stock, situação preocupante, já que a Chá de Caxinde vive desta actividade.

“Quem lê um livro nunca mais é a mesma, e o Estado deve criar  condições para que os livros cheguem as mãos das pessoas a preço acessível, porque eles (livros) constroem consciências e dão conhecimento a um povo”, desabafou.

A província de Luanda conta com as livrarias dos hiper e supermercados, a Mensagem e também com as lojas religiosas Barquinho e Paulinas que comercializam obras científicas, académica e literárias e religiosas.

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