Localizado na província da Lunda Norte (Nordeste de Angola), o Museu Regional do Dundo tem-se destacado na conservação de acervos culturais diversos, documentação, pesquisa histórica e específica acerca do povo Lunda Côkwe, constituindo uma das principais atracções dos turistas.

Em 2019, recebeu 30 mil visitantes, 200 dos quais estrangeiros, ao passo que, em 2018, registou apenas 10 mil, sendo 60 de outros países.

O museu, situado no “coração” da antiga cidade do Dundo e com mais de 100 anos de existência, ajuda a sociedade a identificar acontecimentos da história, que foram decisivos/essenciais para a construção do “Império” Lunda.

Para ajudar a preservar as memórias e, ao mesmo tempo, explicá-las aos interessados, a instituição conta com um acervo repleto de artigos e colecções etnográficas, biológicas, arqueológicas, de arte sacra, popular e alguns objectos que se relacionam com a história da Revolução Industrial, como a exploração de diamantes.

As colecções etnográficas do Museu do Dundo constituem a principal componente do objecto social da instituição e resultam da primeira campanha de recolha de peças, designada por expedição de Camaxilo, feita no longínquo ano de 1937, e do Alto Zambeze, em 1939,

O Museu do Dundo possui nove mil peças etnográficas e prevê, para breve, a recolha de outras que se encontram em posse de pessoas ligadas à arte e detentoras de colecções.

Logo à entrada, contempla a cultura Lunda, que prestigia o folclore, destacando-se vestimentas e máscaras utilizadas em rituais, cerimónias e/ou festas e quadros ilustrativos sobre a Mucanda (circuncisão).

Realçam-se, igualmente, a Mahamba (culto aos espíritos tutelares representados por estatuetas e árvores para garantir a protecção diária ou apaziguar espíritos) e a Kafundeji (ritual de iniciação feminina, que prepara a adolescente para a fase adulta, durante a qual ela é instruída para o casamento e a vida sexual activa).

Entre os artigos culturais expostos, sobressaem a estatueta do Samanhoga (pensador) - que se tornou num símbolo nacional -, as máscaras Mwana Phowo (retrata a beleza feminina), Mukishi wa Mwanangana (palhaço do rei) - que corresponde ao sacrifício sagrado e representa os antepassados do chefe tribal -, bem como os instrumentos musicais: Ngoma (batuque/tambor), puita, entre outros.

Aposta na renovação

A criação de um acervo museológico interactivo, capaz de apresentar propostas inovadoras, em especial aos jovens estudantes, agentes culturais, investigadores e historiadores, é a principal aposta da direcção do museu, no âmbito da sua renovação.

Segundo Ilunga André, director da instituição, essa é uma meta para este e os próximos anos, consubstanciada na construção de um edifício moderno, para albergar as salas de depósito geral definitivo, um laboratório de investigação biológico, a requalificação da Estação Arqueológica do Bala-Bala e a revitalização da Aldeia Museu.

Nesse projecto, destacou o Laboratório de Biologia, enquanto área específica do Museu do Dundo vocacionada para o estudo das diferentes espécies animais do Leste, e a Aldeia Museu, por albergar artistas dos grupos culturais locais e artesãos, constituindo um espaço promotor do turismo cultural.

Parcerias

O responsável disse ser pretensão criar, ainda este ano, novas parcerias com instituições museológicas e universitárias nacionais e internacionais, privilegiando a formação do quadro técnico, com vista a melhorar o trabalho destes e atrair o interesse de mais pesquisadores estrangeiros.

Ilunga André adiantou que já existe uma parceria com a Universidade Lueji A'Nkonde, para ajudar a reconhecer o Sona - desenhos da cultura Lunda feitos na areia -, como Património Cultural Nacional.

Necessidade de quadros

De acordo com o responsável, o Museu do Dundo necessita de três especialistas em museologia, arqueologia, etnografia, história natural e antropologia, para a constituição do seu Conselho Científico, em conformidade com o Estatuto Orgânico da instituição.

Recuperação de peças desaparecidas

O gestor informou que, no âmbito do programa de resgate de parte do acervo museológico espalhado pelo país e pelo exterior, o Museu do Dundo recuperou, em Janeiro de 2019, oito peças, todas esculturas de origem Côkwe, ressaltando-se a Ngundja (cadeira do trono, em miniatura).

Actualmente, conta com um acervo de nove mil peças etnográficas e 14 mil de história natural, das quais apenas 821 expostas, incluindo as oito resgatadas no ano transacto.

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