Tem 24 anos, desenha desde os oito e já fez vários retratos e caricaturas de diversas figuras nacionais e estrangeiras. Recentemente, Nelson Paim lançou o primeiro livro de caricaturas em Angola. Faz da caricatura uma profissão e quer ensinar.

O gosto pelo desenho surgiu através do primo Abreu Paim com quem vivia, no Sambizanga, em Luanda. Via os desenhos que este fazia numa parede e com ele copiava alguns dos personagens como o ‘Dragon Ball Z’, numa folha de papel molhada com petróleo.

Foi-se aperfeiçoando e hoje, em todas as quadras festivas, recebe convites para desenhar nas paradas (locais onde os jovens se concentravam no Natal e final de ano). Mais tarde começou a inclinar-se para o realismo (desenho de personagens reais). Pegava nos cartazes de filmes como o ‘Matrix’ e
a ‘Múmia’ e desenhava os personagens.

Depois passou a fazer pinturas abstractas e de realismo em telas. Em 2007, o vizinho Guilherme da Paixão pediu-lhe que desenhasse o logótipo da
sua organização e o da ‘Feira de Habilidades para a Vida e Fomento ao Autoemprego’, em que também participou com os seus desenhos feitos
em panos brancos. “Normalmente os artistas preparam os panos para fazerem os seus desenhos, mas eu desenhava sem esse procedimento e os
desenhos saíam bem”, explica. Os seus primeiros retratos foram de Matias Damásio, Mantorras, Anselmo Ralph, dos Calibrados, do Cabo Snoop. Acabou por oferecer os desenhos aos retratados.

Em 2009, dá o ‘salto’: adquire o gosto pela caricatura depois de ter visitado o festival ‘Luanda Cartoon’. Não tinha noção nenhuma das técnicas utilizadas e perguntava-se como os desenhos, “mesmo sendo feios, se pareciam com os personagens reais”. Resolvida a dúvida, no ano seguinte, decidiu participar também do festival com as caricaturas do cantor Yuri da Cunha e do humorista Gilmar, dos ‘Tuneza’, e até 2013 foi o artista com maior número de caricaturas no evento.

Mas, antes disso, teve a oportunidade de receber uma formação como ‘design’ do grupo ‘M-Link’. Durante um ano, pagaram-lhe para poder
comprar materiais que precisava e ofereceram-lhe um computador portátil a fim de fazer os trabalhos em casa.

Desenhou a caricatura que serviu de imagem da capa do último disco do Pedrito do Bié. Ganhou outro computador e o convite para fazer parte do portal ‘Rede Angola’, onde semanalmente as suas caricaturas são publicadas com o “objectivo de dar a conhecer” e expandir o seu trabalho.

Trabalhos feitos

Nelson Paim faz os desenhos a lápis e posteriormente usa o ‘scanner’ para os inserir no computador e pinta utilizando várias técnicas. Tem recebido
encomendas para retratos, mas sente que a caricatura ainda “não é valorizada”. “Os angolanos gostam de arte, mas falta incentivo. É preciso também
apostar na formação de desenho”. Já pintou cerca de 20 quadros e perdeu a conta às caricaturas que fez, mas guarda-as em discos.

Admirador dos artistas Paulo Airosa e Horácio da Mesquita, apesar de ainda fazer retratos, dedica-se mais à caricatura porque estimula a sua criatividade mas assegura que “é preciso” dedicação.

O livro de caricaturas

Nelson Paím realizou o seu sonho de lançar um livro de caricaturas de várias figuras nacionais e estrangeiras. A ideia surgiu depois lhe terem oferecido
um livro com caricaturas de vários desenhadores estrangeiros.

Deseja também fazer uma exposição de caricaturas. Acredita que o público conhece apenas as caricaturas, mas precisa também de o conhecer como artista. Gostaria ainda de usar os seus desenhos para capas de cadernos escolares e colocá-los em t-shirts e autocolantes. Por isso, deseja especializar-se em ilustração no Brasil ou EUA.

Apesar das dificuldades, Nelson Paím faz da caricatura a sua profissão afirmando que “tudo o que tenho e as pessoas que conheci foi graças ao meu trabalho”. Já fez várias caricaturas para as revistas Karga, People e Cajú. Fez um quadro em homenagem ao Can2010 que ofereceu à organização
do evento e foi também colaborador da revista Vida desenhando caricaturas da selecção nacional de hóquei.

Actualmente, colabora na Caras e no portal Rede Angola que lhe dá a oportunidade, “pela primeira vez”, de ter um salário certo. Para divulgar os desenhos, coloca-os na internet, vende-os a preços baixos e, às vezes, oferece. O que já permite ter trabalhos reconhecidos em países como Portugal e Rússia. Afirma-se um “perfeccionista” que “gostava muito” de fazer uma formação em caricatura, mas também de ensinar.

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