O Ministro da Cultura da Rússia retirou a licença de exibição de "A Morte de Estaline", um retrato em jeito de sátira dos últimos dias do ditador soviético e do caos do regime após a sua morte em 1953, depois de 30 anos a governar a União Soviética com mão de ferro.

A realização é do britânico Armando Iannucci, ligado a outras obras do género como "Em Inglês, S.F.F." (2009) e as séries "The Thick of It" (2005-2012) e "Veep" (em exibição desde 2012).

De acordo com a agência de notícias estatal Tass, a decisão foi tomada pós uma sessão especial realizada na segunda-feira onde estiveram presentes personalidades da indústria cinematográfica local, representantes da Sociedade Histórica da Rússia, deputados da Duma (o parlamento) e outras individualidades políticas. A estreia estava marcada para quinta-feira, 25 de janeiro.

Após o visionamento, várias individualidades, incluindo o realizador Nikita Mikhalkov, vencedor do Óscar por "Sol Enganador" (1994), apelaram ao ministro Vladimir Medinsky para que fosse retirada a licença, argumentando que o filme "visa incitar o ódio e a inimizade, violando a dignidade do povo russo, promovendo a inferioridade étnica e social, o que aponta para a natureza extremista do filme".

"Estamos confiantes que o filme foi feito para distorcer o passado do nosso país, para que pensar na União Soviética dos anos 50 faça as pessoas sentirem apenas terror e repugnância", acrescentaram, notando que o hino nacional era acompanhado de expressões obscenas e atitudes ofensivas e até existiam imprecisões históricas nas insígnias que são mostradas, pelo que "a estreia do filme na véspera do 75º aniversário da Batalha de Estalinegrado é cuspir na cara de todos os que aí morreram e todos aqueles que ainda estão vivos".

Para justificar a decisão, Yuri Polyakov, responsável pelo comité público do ministério, descreveu "A Morte de Estaline" como um instrumento para "luta ideológica" e referiu que "ninguém falou a favor do filme como uma obra de arte".

"Não temos censura. Não temos medo de avaliações críticas ou difíceis da nossa História. Nisso, poderíamos competir com quem quer que seja. Mas há uma fronteira moral entre a análise crítica da História e chacota pura. Muitas pessoas mais velhas, e bastantes outras, vêem isto como uma chacota ofensiva de todo o passado soviético, do país que derrotou o fascismo, do exército soviético e das pessoas normais. E, ainda mais desagradável, vêem-no até como um desprezar das vítimas do estalismo", acrescentou o Ministro da Cultura em comunicado.

Com Jason Isaacs, Steve Buscemi, Simon Russell Beale, Rupert Friend e Michael Palin, "A Morte de Estaline" está nomeado para dois BAFTAs, incluindo o de Melhor Filme Britânico. Estreia em Portugal a 15 de fevereiro.

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