Não é do Congo, não é de Angola, mas sim do mundo. As suas músicas são ouvidas em África, América, Ásia e Europa, tendo no seu curriculum várias actuações em qualquer destes continentes.

No seu país de origem (Angola) teve o seu momento nos anos 70, estendendo-se até aos 80, mas de lá para cá  “desapareceu” dos grandes palcos nacionais, não por falta de qualidade, mas sim porque o mercado mudou, passando a consumir mais temas superficiais (quantidade) e a valorizar menos os ícones nacionais.

Os dois últimos álbuns (2003/2005), cantados especificamente para Angola, tiveram mais sucesso na Europa do que no país.

Temas como “Pátria querida”, “Maria tebo”, “Canção de saudades”, “Ti António” representam o passado e o presente de Angola e fruto do seu conteúdo tornaram-se intemporais. Portanto, é um paradoxo faltar palcos para este grande “monstro” da música, do género Rumba em particular.

Nos dias 31 de Agosto e 1 de Setembro Sam Mangwana será o cartaz do projecto musical Show do Mês, que marcará o seu regresso, não ao país onde já reside há anos, aos grandes palcos. Obviamente que não serão suficientes para apresentar o seu vasto reportório, mas deverá servir para minimizar a carência dos fãs.

Durante o show, o músico vai fazer uma incursão por todos os discos já produzidos e outras músicas que fizeram sucesso ao longo dos seus anos de carreira, que o consagraram como intérprete musical no panorama nacional e internacional.

O artista, que fala e canta em francês, Inglês, Lingala, Kikongo, Swahili e Português, nasceu em Kinshasa, República Democrática do Congo, no seio de uma família angolana.

Mangwana estreou-se profissionalmente em 1963 com a banda de Rumba congolesa African Fiesta, dirigida por Tabu Ley Rochereau. De seguida atravessou o rio para o vizinho Congo Brazzaville, onde formou um grupo de curta duração denominado Los Batchichas, antes de regressar a Kinshasa onde se juntou novamente ao Tabu Ley.

Parceria com Francó

Em 1972 juntou-SE ao TPOK Jazz, liderada pelo lendário Francó. Tocando frequentemente, várias vezes como vocalista, a sua popularidade aumentou, estando na origem dos hits “Ebale ya Zaire“, “Cedou” e “Mabele“. Mangwana foi considerado protegido de Francó e tornou-se numa das principais referências musicais naquele país.

Deixou TPOK Jazz e, mais uma vez, regressou a banda de Tabu Ley Rochereau, agora como nome Afrisa, onde ficou pouco tempo antes de rumar a Cote d'Ivoire para formar, em 1978, os African All Stars.

Com a separação do grupo, um ano depois, Sam Mangwana enveredou pela carreira a solo, gravando com vários músicos sucessos como ”Maria Tebo” (1980), “Coopération” (1982), com Francó, “Canta Moçambique” (1983), com Mandjeku, e os álbuns “Tiers Monde cooeration”, “Tiers Monde revolution”, com o saxofonista Empompo Loway.

Regressado a Angola em 2004, depois de ter residido nos Congos (democrático e Brazzaville), Cote D'Ivoire, França entre outros países, colocou no mercado os discos "Canto de Esperança", em 2003, e “Pátria Querida”, em 2005.

O Show do Mês, que vai na quinta temporada, é um projecto musical que visa dar espaço aos artistas com menos oportunidades, tanto jovens como veteranos, velando sempre pela qualidade. No final de cada mês um ou mais artistas são seleccionados para subir ao palco.

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