Com a música “Papá fugiu”, cuja letra é da autoria de Baló Januário, Ariovalda Eulália Gabriel, ou simplesmente Ary, mexeu com o público ao longo do ano, conquistando a simpatia dos amantes da música angolana que a levaram, mais uma vez (depois da conquista em 2014), ao top.

De fininho, Ary foi ao Cuanza-Norte e não deu hipóteses à concorrência, batendo, sem apelo nem agravo, os nove colegas incluídos na lista dos finalistas, nomeadamente, Zona 5, Eddy Tussa, Kristo, Cef, Elenco da Paz, Milson, Bass, Mago de Sousa e Bangão (que concorreu com a música Kalumba Seleta).

Incluído no disco “Dez”, surgido dois anos depois do CD “Crescida mas ao meu jeito”, “Papá fugiu”, tema que tem sido o cartão-de-visita desta obra discográfica publicada a 21 de Agosto do ano em curso (três meses antes da edição 2016 do “Top dos Mais Queridos”), entrou na boca do povo e conquistou a empatia dos apreciadores da música angolana, muito por conta de uma mensagem apelativa que aborda a problemática da fuga à paternidade.

Em três meses de um árduo trabalho de promoção, não só da música em causa mas também do disco em si, com “Papá fugiu” Ary tomou conta das pistas de dança do país e arrasou mais uma vez.

Prémios internacionais

Num ano de muitas glórias, o mercado musical angolano esteve em alta, elevando, cada vez mais, o orgulho dos angolanos, com a conquista de troféus em concursos internacionais.

Apostados em internacionalizar o produto nacional, os músicos angolanos começam por ver o resultado da aposta com a conquista de prémios em concursos internacionais, com maior relevância para os realizados no mercado africano.

Coreon Du e Lipsia foram outorgados com os prémios de Melhor Artista Masculino e Novo Talento, no African Entertainment Awards, dos Estados Unidos da América, enquanto C4 Pedro foi distinguido como Melhor Artista Lusófono, no África Music Awads 2016, e Melhor Artista Masculino da África Central.

Neste capítulo, o ano acabou com a distinção de Bruna Tatiana, jovem artista que foi distinguida em Lagos (Nigéria), com o prémio de Melhor Artista Feminina da África Central (Best Female Central África), na gala de premiação do África Music Awards (AFRIMA2016).

Internamente, o mercado musical ficou marcado com a atribuição do Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de música, ao músico e compositor Mito Gaspar.

Com um longo currículo cultural iniciado em 1978 na província da Huíla, como chefe do Departamento de Cultura, Recreação e Desportos (DCRD) da JMPLA, Mito Gaspar viu coroado um trabalho que tem sido enraizado na pesquisa, divulgação e preservação da cultura angolana de raiz.

Mercê do seu invulgar estilo musical, enraizado na identidade cultural angolana, é detentor de vários diplomas de mérito e reconhecimento, menções honrosas e outras distinções que o qualificam entre os maiores pilares da ancestralidade cultural, com uma discografia estruturada, versátil e eclética.

“Man Polê”(1980)-Luanda, “Mitos & Tradições”(1986)-Paris, “Phambu ya Njila”(2004)-África do Sul  fazem parte do conjunto da discografia do  artista.

Regresso aos discos

Num ano completamente atípico no que diz respeito ao lançamento de disco na sempre concorrida Praça da Independência, em Luanda, o mercado registou, em contrapartida, algum movimento, com destaque para as sessões de Puto Português e já no final do ano de Anselmo Ralph.

Três anos depois do lançamento da obra “Ritmo e Melodia”, com o disco "Origens", Puto Português sacudiu a poeira e mostrou aos fãs que ainda tem espaço reservado.

“Origens” conta com as participações de Matias Damásio, Bruna Tatiana, Pérola, Lil Saint, traz as faixas “na zoya”, “muiji uami”, “”fala só”, ”kassembele”, “kudila kuami”, “chauffeur ajudante”, “escorrega” e “amor ao semba”.

Ao contrário da grande maioria dos músicos angolanos, está Anselmo Ralph, com uma carreira inteiramente direccionada ao mercado internacional nos últimos três anos.

Retornou ao mercado interno com novo disco e uma agenda de espectáculos totalmente preenchida, levando centenas de fãs aos espaços por onde passou para as sessões de apresentação do “Amor é Cego”.

Romântico e emocionalmente intenso, o novo álbum, composto por 15 músicas, celebra o amor e retracta os momentos vividos numa relação a dois, no qual o amor, a tolerância, a paixão, o perdão, os encontros e desencontros são os “ingredientes” principais das músicas deste novo CD.

Eduardo Paim: 40 anos de carreira

Tenso, vibrante e emotivo, à noite de 28 de Novembro foi dia de festa, emoções, reencontros e confidências entre Eduardo Paim, os fãs e antigos colegas de profissão.

Produzida pela Nova Energia, em aproximadamente três horas, a actuação foi marcada pelo reencontro, em palco, de quatro artistas que suportaram, a partir de Portugal, o género kizomba, na década de 90.

Eduardo Paim, que interpretou mais de 20 canções do seu vasto repertório, partilhou o palco com Jacinto Tchipa, Maya Cool, Yola Semedo, Ricardo Abreu e Fernando Kental, os dois últimos parceiros no projecto discográfico "Sem Kigila".

Mais de dois mil espectadores, entre políticos, artistas e profissionais de outros ramos juntaram-se à volta do considerado "pai do kizomba", na sua terceira aparição em palco.

Nesta celebração, Eduardo Paim extraiu os temas de maior sucesso dos seus vários CDs a solo, entre as quais "Foi Aqui", "A Minha Vizinha", "É Tão Bom", "Maravilha da Ilha", "Xiquitita", "Ai Se Agarro", "P’ra Nguenda" e "Perdão", bem como "Essa Mulata".

Cantou ainda, entre outros, "Som da Banda", "Coração Partido", "Rosa Baila", "Luanda Minha Banda", "Nzambi Za", "Morena de Angola", "Zé Kiwaya", "Do Kakayaya", "Carnaval" e "Kutonoca".

No ano em que a crise económica mais apertou a sociedade angolana, o segmento musical ressentiu-se, factor que influenciou, de forma negativa, o mercado de produção discográfica e de promoção de espectáculos.