A actuação de Bonga começa com o Show do Mês, no sábado, 14, no palco do Centro de Conferências de Belas, para fechar o ano do projecto em causa.

Para domingo, 15, o também considerado embaixador da música angolana vai ao Centro Cultural e Recreativo Kilamba, no Rangel, para fechar o ano do Muzongué da Tradição, num espectáculo que contará ainda com as participações de Lulas da Paixão, Massono Júnior e Givago.

A propósito desta actividade, que tem o seu inicio marcado para as 11horas, o responsável do espaço, Estêvão Costa, disse, em declarações à ANGOP, estar a ser preparado um guião bastante rico para os apreciadores da música de Bonga.

Estêvão Costa afirmou que o artista terá um pouco mais de duas horas para levar os fãs a uma viagem ao seu reportório musical onde pontificam temas como “Camakove, “kaombo é que pica”, “homem do saco”, “kambwa”, mulemba xangola”, “kisselenguenha”, “Água rara”, “Kaxexe”, “Cambomborinho”, “Marimbondo”, “Macongo”, “Ngana Ngonga”, “Homem do Saco”, “Frutas de vontade”, “Diakandumba”, “Mona”, , “Sambila”, “Jingonça” e “Mariquinha”.

Bonga passou pelo palco do Centro Cultural e Recreativo Kilamba a 11 de Novembro de 2018, no âmbito de uma homenagem.

Perfil

José Adelino Barceló de Carvalho nasceu em Quipiri, na província do Bengo, a norte de Luanda, em Angola. A família tratava-o carinhosamente por Zeca. A infância foi passada em bairros como os Coqueiros, Ingombota, Bairro Operário, Rangel e Marçal. Sempre viveu num ambiente intimista de preservação das músicas e tradições angolanas, marginalizadas pela dominação colonialista presente na época.

O folclore dos musseques (bairros pobres) cedo fascinou o pequeno Zeca e, por isso, começou a frequentar e a participar das turmas dos bairros típicos de Angola, onde iniciou a actividade musical.

Foi no bairro Marçal onde fundou o grupo Kissueia. Bonga resolveu, depois, criar o próprio estilo musical, afirmando-se a especificidade da cultura angolana, numa época muito conturbada.

Carreira musical

Em 1972, na Holanda, lança o seu primeiro álbum "Angola 72", no qual canta a revolução e o amor à pátria. É por esta altura que Barceló de Carvalho passa a chamar-se Bonga Kwenda. Adopta um nome africano que significa "aquele que vê, aquele que está à frente e em constante movimento".

Bonga actua pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1973, na celebração da independência da Guiné-Bissau, integrado num espectáculo de homenagem à cultura lusófona.

Em  Abril de 1974 lança "Angola 74". Nos anos 80 torna-se no  primeiro artista africano a actuar a solo, dois dias consecutivos no Coliseu dos Recreios (Lisboa), símbolo da música portuguesa. É o primeiro africano “Disco de Ouro” e de “Platina”, em Portugal.

O sucesso estende-se para lá das fronteiras lusófonas e Bonga actua no Apolo, em Harlem, no S.O.B. de Nova Iorque; no Olympia de Paris, na Suíça, no Canadá, nas Antilhas e em Macau.

Marca Bonga  

Bonga cria uma fusão entre a sua pessoa e a música de Angola, tornando-as indissociáveis e tendo como maior estandarte o semba, um ritmo tradicional angolano correspondente ao samba brasileiro, mas precursor deste.

Também interpreta géneros musicais cabo-verdianos, sendo responsável pela roupagem da coladeira “Sodade” para uma morna, 18 anos antes de Cesária Évora a tornar mundialmente famosa.

Prémios

Bonga recebeu vários prémios de popularidade e homenagens, além de outras distinções, nomeadamente medalhas e discos de ouro e de platina.

Em 2010 foi galordoado com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Música.

Em 2014 foi condecorado, pela Embaixada de França em Angola, com a insígnia de Cavaleiro na Ordem das Artes e Letras, e em 2018 o Estado angolano condecorou-o com a Medalha de Bravura e do Mérito Cívico e Social, 1.ª Classe, no âmbito das celebrações do 43º aniversário da independência nacional.

Tem manifestado a sua solidariedade e altruísmo, dando concertos de beneficência para instituições como a MRAR, a Amnistia Internacional, FAO, ONU e UNICEF.

Para além disso, tem participado em CDs como "Em Português Vos Amamos" dedicado a Timor, "Paz em Angola" ou ainda "Todos Diferentes, Todos Iguais", um marco na luta contra o racismo.

Tem mais de 300 composições da sua autoria, 32 álbuns, mais de 60 video-clips, sete bandas sonoras de filmes, e álbuns com inúmeras reedições em todo mundo.

Suas músicas têm sido interpretadas por outros artistas, com destaque a Martinho da Vila, Alcione e Elsa Soares (Brasil), Mimi Lorca (França), na República Democrática do Congo, Bovic Bondo Gala, no Uruguai, Heltor Numa de Morais, e muitos angolanos da nova vaga.

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