Os artistas, que falavam à Angop, a propósito do show de Heavy C denominado “Festa na lixeira”, afirmaram que o cantor é um dos mais completos da sua geração no mercado musical nacional.
Segundo Walter Ananaz, o regresso aos palcos do cantor e compositor foi recebido com grande satisfação, não só dos fãs, como dos amigos e colegas de profissão.
“Na realidade, nunca esperei que ele fosse abandonar a música, o que seria uma grande pena, e afirmo que é um dos poucos artistas a quem faço vénia”, disse.
O antigo integrante do grupo O2 referiu que Heavy C é um dos maiores compositores e produtor que influenciou a música angolana na década de 2000 e, independentemente das dificuldades por que passou, voltou, e é uma honra para si partilhar o palco com ele.
Já Jorge Semedo, integrante do grupo Impactos 4, considerou Heavy C uma das “feras” da produção musical nacional, pelo que se regozija por acompanhá-lo nesse seu regresso aos palcos.
O solista referiu que vários músicos, hoje conceituados, a nível da praça local e internacional, devem-no também às mãos de fada deste homem.
“Momentos como este são ímpares na história da nossa música, a classe está orgulhosa com este regresso e acreditamos que ele não vai mais parar”, enfatizou.
Entretanto, o anfitrião do grande show “Festa na lixeira” considerou o momento de “triunfal”, pois, permitiu viajar com o público através do seu vasto repertório, por diferentes etapas da sua carreira.
“O meu regresso aos palcos significa a valorização da produção musical angolana, porque as pessoas querem ouvir músicas de qualidade com letras que transmitem mensagens com valores”, destacou.
O cantor, compositor e produtor musical afirmou que o seu afastamento dos palcos, em 2016, foi motivado pela existência, na altura, de uma espécie de “máfia” que controlava o mercado musical angolano.
Segundo o músico, o mercado era bastante fechado e muitos fazedores desta arte viram-se obrigados a parar porque o seu trabalho era bloqueado por certas pessoas.
“Creio que não havia uma orientação tácita do antigo Chefe de Estado para dificultar a vida de determinados artistas, mas eram os órgãos que trabalhavam nisso que criavam as dificuldades. Havia muitas situações em que o poder era localizado, por exemplo a nível da comunicação social, de shows, de venda de discos, havia muita coisa que impossibilitava o nosso serviço”, disse.
“Em tudo quanto era actividade, quer político-partidária, social, desportiva, de recreação, eram sempre os mesmos músicos seleccionados. Nós não tínhamos emprego, não tínhamos como trabalhar”, desabafou.
Para ele, com o posicionamento do novo Presidente da República, algumas pessoas foram afastadas e hoje já é possível trabalhar e daí ter recuado na sua decisão.
Nessa nova fase, relatou o músico, os sonhos voltaram, embora não com a mesma disponibilidade financeira da altura, mas acredita que isso é bom, porque os vai obrigar a trabalhar mais e a terem certeza que nada está garantido.
O músico dividiu o palco com Walter Ananaz, Jorge Semedo, Livongh e Ivan, na sua “Festa na lixeira”, no cine Kalunga.
Vários temas como “Playa”, “Quero ser feliz” e “ Homem casado”, foram cantados por Hesvy C, numa grande interação com o público.
O músico Heavy C conta com nove discos no mercado.
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