Keith Flint, vocalista dos Prodigy, morreu esta segunda-feira, dia 4 de março, aos 49 anos. O cantor foi encontrado morto na sua casa, avança o jornal Mirror.

O artista foi encontrado pelas autoridades depois de um alerta esta manhã. De acordo com a imprensa local, a polícia de Essex, Inglaterra, confirmou que o músico foi dado como morto e que o caso não está a ser tratado como crime. As causas da morte ainda não são conhecidas.

"Fomos chamados por receio do bem estar de um indivíduo numa morada esta segunda-feira de manhã (...) Infelizmente encontrámos um homem de 49 anos que foi declarado morto no local. A morte não está a ser tratada como suspeita e um documento está a ser preparado pelo médico legisla", disse o porta-voz da polícia.

Os Prodigy atuaram pela última vez em Portugal a 26 de maio de 2018, no North Music Festival. A banda britânica foi cabeça de cartaz do segundo dia do festival que se realiza na Alfândega do Porto - recorde aqui um excerto do concerto.

Os Prodigy, responsáveis pelos hits "Firestarter", "Breathe" ou "Smack My Bitch Up", apresentaram no evento o sétimo disco de estúdio.

Depois de confirmada a notícia da morte do músico, fãs começaram a fazer homenagens a Keith Flint nas redes sociais.

Através das redes sociais, Ed Simons, dos Chemical Brothers, também relembrou o colega. Para o músico, Keith Flint era "um grande homem".

Em 2015, o grupo atuou no NOS Alive, onde apresentaram pela primeira vez em Portugal "The Day Is My Enemy", o seu último disco. Em 2013, foram considerados o projeto de música eletrónica mais influente de sempre, de acordo com um inquérito realizado a dois mil ingleses frequentadores de festivais e discotecas.

Em novembro de 2018, a banda lançou "No Tourists", o sétimo álbum de estúdio da sua carreira.

A banda britânica foi criada em 1990, depois de Liam Howlett, Keith Flint e Leeroy Thornhill se terem cruzado num bar na cidade de Essex. A ideia inicial era que Keith e Leeroy fossem os bailarinos.

créditos: Ana Rita Santos

O primeiro concerto do grupo aconteceu meses depois no The Labyrinth, em Londres.

Se a música de dança conheceu uma expansão considerável em meados dos anos 1990, o quarteto britânico (que entretanto se tornou um trio) não só teve uma palavra a dizer como abriu caminho para tantos outros, sendo muitas vezes imitado (sem nunca ser igualado) e diluindo a fronteira que separava as pistas de dança de outros polos musicais - processo para o qual contribuíram também nomes como os conterrâneos Chemical Brothers, Underworld ou Orbital, ou ainda os franceses Daft Punk, mesmo que, com a eventual exceção destes últimos, nenhum tenha sido tão determinante junto de um público até então alheio à eletrónica.

"Experience" (1992) e "Music for the Jilted Generation" (1994), os dois primeiros discos do coletivo liderado por Liam Howlett, não tinham passado propriamente despercebidos, mas o seu efeito, por mais mais impacto que tenha deixado (e deixou bastante, tanto a nível criativo como no culto que gerou), foi apenas residual quando comparado com o da terceira investida.

"The Fat of the Land", disco de referência quando o assunto é a colisão de rock e música de dança, é um dos mais marcantes da carreira. O terceiro disco dos britânicos marcou muitas juventudes, despertando paixões e alimentando outros tantos ódios em finais da década de 1990. Mas ao contrário do seu público de então, "The Fat of the Land", editado a 30 de junho de 1997, mantém-se um disco ferozmente adolescente, a dois ou três passos da idade adulta.

"The Fat of the Land" (1997), blockbuster colossal, distorcido e inesperado, foi o que permitiu que a popularidade dos Prodigy atravessasse o Atlântico, apresentando-os a uma nova legião de adeptos nos EUA, triunfo para o qual contribuiu uma mudança de som aliada a um repensar (tão ou mais decisivo) da imagem.

Howlett manteve-se, como sempre, nos bastidores, arquitetando canções que, além da eletrónica dançável que lhe deu fama (do techno ao breakbeat), tentaram um híbrido industrial/rock/hip-hop incisivo logo à primeira amostra: "Firestarter", portentoso single de avanço, marcou a estreia dos Prodigy no lugar cimeiro do top de singles britânico, onde se mantiveram durante três semanas.

A sonoridade, agreste como poucas vezes o grupo tinha revelado até aí, teve um acompanhamento visual igualmente incendiário no videoclip, assinado pelo britânico Walter Stern (colaborador habitual dos Prodigy ou dos Massive Attack e autor do não menos emblemático "Bittersweet Symphony", dos Verve). Filmado a preto e branco num túnel londrino, o vídeo seguiu Keith Flint, bailarino tornado vocalista alucinado que ficou, desde então, como a face mais reconhecível do grupo - dividindo, por vezes, o protagonismo com Maxim Reality, MC apesar de tudo mais discreto.

Tão marcante para a imagem da sua banda como Johnny Rotten o tinha sido, 20 anos antes, para a dos Sex Pistols (grupo a que os Prodigy foram comparados, sucedendo-o com uma iconografia mais cyberpunk), Keith Flint preparou terreno para o cenário apocalítico de "The Fat of the Land", reforçado pelo single seguinte, o também sinuoso "Breathe" (outro número um nos tops), e mais ainda pelo terceiro, "Smack My Bitch Up", de longe o mais polémico dos três.

As novidades incluídas na reedição comemorativa dos 15 anos do aniversário de "The Fat of the Land", em 2012, ajudaram a reforçar esta impressão: o disco extra, "The More Fat EP", apresentou seis remisturas inéditas (assinadas por Noisia, Alvin Risk, Zeds Dead, Baauer, The Glitch Mob e Major Lazer), quase todas assentes num misto de dubstep e electro maximal funcional, embora anónimo, que já soava datado à nascença. O update sonoro pode ter dado novo impulso ao álbum junto de uma nova geração de ouvintes - que, mesmo assim, acolheram bem o mais recente "Invaders Must Die" (2009) e The Day Is My Enemy (2015) -, mas a melhor forma de celebrarmos "The Fat of the Land" ainda é através (re)descoberta das canções originais, cuja potência continua a sobrepor-se a qualquer tentação de nostalgia.

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