Os músicos Bangão, Tony do Fumo Filho e Clara Monteiro são os convidados para a edição de Junho do programa Muzongué da Tradição, a ter lugar neste domingo (8) no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda.

A informação foi avançada hoje, segunda-feira, à Angop, pelo responsável do espaço, Estêvão Costa, que adiantou tratar-se de um programa onde também se fará juntar a uma amostra de trajes típicos da Ilha de Luanda (Bessangana).

Para além dos artistas convidados, de acordo com a fonte, o programa servirá também para uma homenagem a Prado Paím.

“A intenção é juntar num só programa música, dança e uma amostra das vestimentas típicas de zona da capital angolana, pelo seu valor no mosaico cultural angolano”, reforçou.

Relativamente a homenagem a Prado Paím, Estêvão Costa realçou que  se pretende levar o público a reviver alguns dos bons momentos com uma das glorias da música angolana, no âmbito do projecto de resgate e divulgação do cancioneiro angolano.

“É um artista com uma história no mercado nacional, portanto, nada melhor do que proporcionar aos seus fãs e ao público em geral alguns momentos ao som a ao ritmo das suas músicas”, frisou.

Artista homenageado

Prado Paim, com 69 anos, foi o primeiro músico angolano a conquistar um disco de ouro, em 1974, marcando o momento mais alto da sua carreira, com a venda de 15 mil cópias, seguido por Alberto Teta Lando, com sete mil e Carlos Lamartine, quatro mil.

Prado Paim lançou o seu primeiro disco em 1974, pela gravadora Valentim de Carvalho, com o suporte musical dos Merengues.

Consta do seu reportório alguns temas como “Juliana”, “Kusambela Nzambi”, “Engrácia”, “Nzenza” e “Bartolomeu”

Historial dos artistas convidados

Bangão

Com 35 anos de carreira, Bangão, como é conhecido no mundo artístico, é um dos músicos mais referenciados do mercado nacional, fruto dos seus dois últimos discos “Sembele” e “Cuidado”.

Exímio executante do estilo semba, que no suporte textual das suas canções apresenta narrativas autênticas de ocorrências do quotidiano angolano, Bangão pisou pela primeira vez um palco a 18 de Outubro de 1978, como elemento do grupo os Gingas Kakulo Kalunga.

Na sua carreira artística, passou pelo agrupamento “Tradição”, em 1974, que integrava, entre outros, Alaito (tumbas) e André Lua (voz).

Em 1996, venceu o prémio Liceu Vieira Dias, com o tema “Kibuikila” (Peste), acompanhado pela Banda Movimento. Em plena ascensão da carreira Bangão é convidado, em 1999, a fazer parte da Banda Movimento, sempre como vocalista.

No mesmo ano, ganhou a primeira edição do concurso Semba de Ouro, com a canção “Kangila” (pássaro agoirento) e afirmou-se como cantor e compositor de inequívocos créditos firmados.

O ano 2003 consagrou Bangão como um dos maiores intérpretes da música popular angolana. Neste ano, no Top Rádio Luanda, ganha os prémios da música do ano, com o tema “Fofucho”, voz masculina do ano e é reconhecido com o prémio preservação pela sua incessante defesa da música popular angolana.

Em 2005 venceu o Top dos Mais Queridos, da Rádio Nacional de Angola (RNA).

Nascido a 27 de Setembro de 1962, no bairro Brás, no actual distrito urbano do Sambizanga, em Luanda, Bangão já participou em espectáculos realizados em Portugal, Argentina, Namíbia e Brasil, onde dividiu o palco com o cantor brasileiro Gilberto Gil.

Clara Monteiro

Clara Monteiro, também artista plástica, viveu com intensa e rara musicalidade o período musical pós-independência.

Natural de Luanda, com um talento, intuição e propensão para as artes, em 1980 Clara Monteiro conhece os cantores Carlos Burity, Santocas, Filipe Mukenga, Waldemar Bastos, Tonito e Juventino, o último percussionista do célebre agrupamento “Kiezos”, figuras que, de forma interessada e sensível, iam acompanhando o progresso da cantora e compositora.

Convidada pela Direcção da União Nacional dos Trabalhadores de Angola(UNTA), com o apoio do baixista Mogue, Clara Monteiro integra então a orquestra 1º de Maio, dispensando, de forma autorizada, os serviços que prestava na então Secretaria de Estado da Cultura de Angola.

É neste período que a vida musical de Clara Monteiro começa a trilhar contornos mais sólidos, construindo uma carreira com concertos mais frequentes no país e no estrangeiro, dividindo o palco com artistas de renome internacional como o camaronês Manu Dibango, o cabo-verd  Iano  Paulino Vieira e os cubanos Pablo Milanês e Sara Gonzales.

Clara Monteiro é uma figura inscrita na história da Música Popular Angolana, um caso de resistência pela arte no feminino e personalidade preocupada em transformar as questões de índole social e telúrica.

Tony do Fumo Filho

Jovem artista que tem dado cartas no music hall nacional interpretando temas do falecido pai (Tony do Fumo).

Ao longo das suas aparições públicas, o jovem tem pautado pela interpretação de temas como "A barona", "Gingololo", "Rumba Kalunga", "Malamba", "Lamento de Mingo", "Kamba Kamba", entre outros.

Centro Cultural e Recreativo Kilamba

Reinaugurado em Dezembro de 2001 pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, depois de longos anos voltado ao abandono, o Kilamba se tem dedicado nos últimos anos à promoção e a valorização da música angolana dos anos 1950, 60 e 70.

Na sua grelha de programação constam o Muzongué da Tradição, um programa que começou em Fevereiro de 2007 e visa a promoção, divulgação e valorização da música angolana produzida nos anos 60, 70 e 80, “Farrar ao Antigamente” e “Show à Sexta-Feira”.

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