Depois de Matias Damásio ter tomado de assalto o palco do Delta Tejo, foi a vez do nosso Puto Português apanhar muitos de surpresa e pôr toda gente a dançar. Ontem, dia 3 de Julho, com uma energia contagiante, o cantor agarrou o público do início ao fim do espectáculo. Caso para dizer que não há três sem quatro: quatro artistas angolanos e quatro concertos memoráveis.

Pouco passava da uma e meia da madrugada quando o Puto Português entrou em palco para encerrar o Festival Delta Tejo. Trata-se de um festival internacional, com a particularidade de só receber artistas dos países produtores de café. Este ano o Delta Tejo contou com a presença de quatro nomes de peso da nossa música, Maya Cool e Yuri da Cunha na sexta-feira, Matias Damásio e Puto Português no domingo.

Era com alguma curiosidade que os angolanos residentes em Portugal aguardavam para ver o ex-kudurista cantar semba. Muitos gostaram do álbum “Geração do Semba”, mas a prova dos nove seria feita ao vivo e, aí, Puto Português não deixou os seus créditos em mãos alheias. Entrou forte com a música “Kina”. Cantou, dançou e puxou pelo público, foi assim todo o concerto. Dissiparam-se as dúvidas sobre o seu talento, que conquistou os que o ouviam.

O semba dominou grande parte do espectáculo (para não repetir concerto), afinal de contas é por estas águas que o músico navega agora. “Kota Seba”, “Arranjei só” e “Casa da sogra” foram temas em que o público cantou juntamente com a banda.

No entanto, Puto Português não esqueceu as suas raízes. A meio da música “Na minha banda” fez um “medley” de kuduro em que convidou o artista Zoca Zoca

A angolanidade esteve presente nos cachecóis e nas diversas vezes que o músico fez referência ao nosso povo e à nossa cultura, mas Puto Português não se esqueceu os outros países presentes no festival, fazendo com que todos na plateia se sentissem como parte da festa.

No final da música “Monami” Puto Português retirou-se do palco dando a entender que o concerto estava terminado, mas não poderia acabar sem o maior sucesso do cantor, “Tá male”. Foi mesmo o maior momento da noite, quando soaram os primeiros acordes e o músico regressou ao palco.

A alegria foi contagiante, mesmo para os que não conheciam a música, como muitos portugueses e brasileiros que se encontravam na plateia. Todos dançaram e saltaram. Houve também espaço para uma homenagem ao cantor e actor Angélico, que faleceu recentemente.


Foi uma noite para mais tarde recordar, os artistas angolanos trouxeram muita cor a este festival e o músico Puto Português esteve ao nível de todos os outros representantes da nossa cultura.

 
SAPO
@Edson Vital

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