“O sistema monitora ininterruptamente todos os conteúdos dos associados, identificando qualquer uma das 120 milhões de músicas em menos de dois  segundos, em, pelo menos, mil e 700 TVs e seis mil e 500 rádios”, indica uma nota da instituição a que a Angop teve acesso hoje.

O mesmo sistema permitirá fiscalizar os sons em mais de dez mil discotecas e bares, supermercados e shoppings, em 85 países. Em Angola, esse processo vai começar em Outubro de 2020, como prevê o artigo 24º do Decreto Presidencial 114/16 de 30 de Maio de 2018.

Designado “Labrador”, este dispositivo de moniramento permite os artistas verem como, onde e quantas vezes o seu conteúdo (áudios e vídeos) está a ser tocado, quer em rádios quer nas TVs a nível nacional e internacional, além dos shoppings, lojas e supermercados.

Segundo o comunicado, a SADIA torna-se na sexta (6ª) Entidade Colectiva de Gestão de Direitos Autorais (ECG) em África a usar esse sistema, já usado em mercados mais desenvolvidos há muito tempo, como Israel, Estados Unidos, França entre outros.

“A SAMRO, na África do Sul, a KOPIKEN  (no Kenya), a MCSN (na Nigéria), a GHAMRO (no Gana) e a ONDA (na Argélia) são as congéneres dessa organização artística angolana que utilizam esse mesmo sistema em África”, cita o documento.

O novo paradigma do mundo, refere o informe, exige que as associações como a Sociedade Angolana dos Direitos de Autor sejam munidas de tecnologia e nos últimos meses, pelo que a SADIA tem investido em tecnologia de ponta para a organização do mercado musical Angolano.

De acordo com a nota, este sistema ajudará na transparência da recolha e distribuição dos rendimentos de direitos autorais, possibilitando ter-se uma noção real dos números de vendas digitais (Streaming), assim como das restantes plataformas acima mencionadas.

“Isso terá efeitos positivos para o mercado, tais como: atribuição de discos de Ouro e Platina, além de que os investidores de música vão ter uma base para estudos de viabilidade do negócio musical no mercado Angolano”, adianta a nota.

A SADIA, sublinha o comunicado, tem trabalhado para atrair investimento estrangeiro para ajudar a indústria musical e a cultura angolana a crescer, na certeza de que a música angolana tem um grande potencial.

“Porém é necessário estarmos organizados e implementarmos regras. O estado Angolano já cumpriu a sua parte em aprovar a lei 15/14 de 31 de Julho de direitos de autores e conexos, e continua a apoiar com aprovações de decretos em matéria de defesa das artes e dos artistas”, cita.

Por esse motivo, a Sociedade apela os intervenientes do mercado musical a ficarem atentos aos sinais do tempo e à adaptação da indústria musical que, a seu ver, tem mudado muito nos últimos dez anos e voltará a mudar devido à pandemia da covid-19.

Entretanto, pede também a todos os artistas e detentores de direitos autorais a dirigirem-se à SADIA para registrar as suas obras, tendo-se em conta que esta agremiação tem trabalhado muito nos últimos tempos para dignificar a classe artística nacional.

“A intenção é fazer com que as grandes produtoras mundiais, tais como a Sony Music Entertainment, a Universal Music Group, editoras e distribuidoras como a Altafonte e outras, comecem a actuar em Angola, tendo algumas delas já mostraram interesse”, enfatiza a nota.

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