O fraco movimento artístico, associado à falta de apoio institucional por parte da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), já dura alguns anos, disseram à Angop alguns músicos, que aguardam por dias melhores.

Segundo os artistas, a situação agravou-se com os problemas internos na UNAC, que há mais de um ano está a funcionar sem uma direcção eleita.

A instituição tinha marcado as eleições para o dia  17 de Agosto de 2018, mas o Tribunal Supremo suspendeu o pleito eleitoral, devido a problemas entre as duas listas concorrentes, condicionalismos que até ao momento não foram superados.

Também a situação económica que o país vive tem contribuído para a falta de shows musicais, na opinião dos interlocutores da Angop, para quem os antigos patrocinadores já não aparecem, mesmo em "dias de efemérides", como nos anos passados.

O jovem músico Jacinto Júnior, que pretende despontar no mercado local, diz estar muito preocupado com a UNAC, bem como com o sector da Cultura, a quem acusa de estarem a deixar "morrer o movimento cultural no Lobito”.

“Nem mesmo o dia 2 de Setembro deste ano, em que a cidade completou 106 anos, foi aproveitado para promover alguma actividade de peso, como nas décadas de 80 e 90, para alegrar os munícipes afeiçoados à música”  lamentou o jovem.

Jerry Rocha, ex-líder do grupo musical KS, actualmente a evoluir no "Duo Gemas", afirma que os músicos, principalmente os profissionais, são obrigados a procurar trabalho, ao contrário de tempos idos, onde este papel cabia aos empresários dos grupos ou dos artistas.

“Se não surgir algum contrato com um restaurante, um hotel ou sermos convidados para tocar em algum casamento ou festa particular, não temos trabalho”, contou o músico, com certa tristeza.

Já o veterano vocalista Zé Bráz, consagrado no grupo Cadência 7, dos anos 70 no Huambo, lembrou que o Lobito já foi uma “praça forte” , de onde saíram grandes músicos, como Botto Trindade, Zeca Moreno e outros que, por razões profissionais, transferiram-se para Luanda.

Em relação aos espaços para shows, Zé Bráz, actualmente a viver no Lobito, conta que o antigo Cine Flamingo no Lobito, hoje quase em escombros, albergou grandes espectáculos nos anos 70, abrilhantados por artistas internacionais, como Roberto Carlos, o americano Percy Sledge, o grupo caboverdiano Os Tubarões e muitos outros.

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