À hora marcada já estavámos muitos, "o todos" foi chegando e a festa compôs-se de tal modo que dificilmente a primeira edição do festival Sons do Atlântico será esquecida, pois no palco estiveram jovens da música nacional e internacional que puseram a fasquia bem alta.

Seria um erro tremendo se não começássemos pelo "Angola, país novo" de Matias Damásio cantado com o balanço de Sara Tavares, que foi com certeza um dos momentos para manter na retina e no coração. A luso-cabo-verdiana, dona de uma voz doce e tão intensa como uma onda do Atlântico provou mais uma vez que a música não tem limites, nem nas notas, nos casamentos.

Entre estes dois senhores de palco ficou aquela cumplicidade em que o ritmo africano tem um lugar muito especial.

As boas "vibes" de "Balancê", "A Outra" ou "Kwanza Burro" deixaram no ar o sabor a pouco que agrada sempre o público.

Mas se começámos pelo meio, podemos bem voltar ao princípio para contar que a Selda já está muito perto, se é que não ganhou já o lugar, de ser uma das vozes jovens de referência em Angola. Acompanhada na guitarra por Toty Sa'med, uma das jovens revelação de 2012, mostrou que na música ainda há muito por fazer e ela está ali para cumprir a sua parte.

Selda abriu o festival, preparando o palco para Beto Dias, um dos cantores cabo-verdianos mais aclamados no estilo zouk/ kizomba e funaná.

Beto nem precisava de cantar, bastava iniciar a letra o povo fazia o resto. "Até um dia", o hit "Ki Vida" e "Sin sabeba" não faltaram nesta noite de calor, em dia de homenagem à mulher angolana.


Energia em palco

Não é só de doces melodias e felizes casamentos que se fazem os festivais e podemos constatar quando vemos a força e ginga da Ary, sem papas na língua nem pudor no remexer. Um verdadeiro "monstrinho" em palco, faz a festa sozinha e passa a mensagem num tom divertido e descontraído.

Entre kizombas e música soul, não pode faltar o estilo que está a disputar o primeiro lugar dos tops musicais com o kuduro, o afro house. No "warm up" esteve Djeff, um dos DJs angolanos mais aclamados em Angola e por todo o sítio onde há um fã do estilo, que veio fazer tremer palcos e discotecas pelo mundo fora.

Do Brasil veio Vanessa Camargo, que em uma hora de palco brincou com o "Escangalho" de Ary, interagiu com o público e pouco deixou de fora do seu repertório.

Do kuduro a que tão bem nos vamos habituando improvisou na Baía o intelectual, o "kudurista com bases" como dizem os seus fãs. Bruno M deixou o recado: "mais pedagogos, menos demagogos". O autor de "Txubila" ou "Eh ewé" pôs o povo concentrado quando quis e agitou quando assim decidiu.

C4 Pedro, Big Nelo e Fabio Dance fizeram o que melhor sabem em palco e as fãs não resistiram. "Calor e Frio" abriu o apetite a quem ainda tinha muito para ver.

Yuri da Cunha cumprimentou Lisboa, mas Luanda não se importou e sentiu o ritmo dos anos que já lá vão bem casados com os ritmos dos tempos que já cá estão.

Entre o tradicional e o moderno, Yuri sabe sempre como manter a energia do lado de quem está a assistir. Antecedido por um espectacular fogo de artifício, que durou cerca de cinco minutos e a todos surpreendeu, o dono de "Kuma Kwa Kié" fez com que o show se mantivesse com as vibrações certas.


Um festival para todos os planos

Se no momento da festa estamos todos enebriados com a envolvência do som e das luzes, o depois vem provar de que ela de facto foi pensada para todos os planos, quer sejam de texto, vídeo, fotografia.

Quando vemos em palco os nigerianos P. Square, bem "fardados" e coordenados pensamos logo nas belíssimas fotos que dali saírão!

Os enérgicos do "Alingo" e "E no easy", pensaram em tudo o que a vista pode captar, quer a olho nu, quer através das objectivas.

Entre a lua, convidada especial que brilhava no mar, e o fogo de artifício lembrando uma bela passagem de ano, Luanda assistiu ontem, 2 de Março, a um espectáculo que daqui para frente só pode melhorar.

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