O músico Bangão recebeu neste domingo, em Luanda, a título póstumo, um tributo do Centro Recreativo e Cultural Kilamba que realizou um show a propósito, sendo o guião composto maioritariamente pelo pequeno, porém rico, repertório do artista falecido no pretérito 17 de Maio.

O evento preencheu todo o período da tarde deste domingo e teve sala lotada por fãs, amigos, colegas de carreira e meras testemunhas da actividade artística de Bangão que somou mais de 30 anos de carreira, porém três discos (“Sembele”, “Cuidado” e “Estou de Volta”).

A actividade foi instrumentalmente suportada pela Banda Movimento que acompanhou vários músicos que se fizeram ao palco para interpretar as canções de Bangão.

Das distintas participações, destaca-se a de Lulas da Paixão, Robertinho, Lolito e Dom Caetano. Mas foi Bangãozinho, artista amador cujo nome surge ao paralelo da sua voz com a do músico malogrado, quem mais intensos aplausos arrebatou.

“Antes de olhar para o palco, cheguei a pensar que era mesmo o Bangão, incrível”, disse um admirador.

Durante as quatro horas de show, a plateia acompanhava, cantando, os vários sucessos levados ao palco e que, por instantes, serviu de consolação para quem ainda não se conforma com a perda.

“O Bangão viveu momentos intensos comigo. Conhecia-o muito bem e éramos bons amigos. Sinto um forte aperto quando me lembro da sua partida. Claro que ocasiões como esta preenchem-me de lufadas de boas recordações. Infelizmente, temos de conviver com esta triste realidade da vida”, disse Robertinho à Angop.

O músico Calabeto também falou, igualmente em entrevista à Angop, do percurso artístico que compartilhou com Bangão. Segundo ele, o artista manifestava, de modo permanente, preocupação relacionada a preservação dos ritmos originariamente angolanos.

Bangão pisou pela primeira vez um palco a 18 de Outubro de 1978, como elemento do grupo os “Gingas Kakulo Kalunga”.

Durante a carreira, passou pelo agrupamento “Tradição”, em 1974, que integrava, entre outros, Alaito (tumbas) e André Lua (voz).

De 1976 a 1977 integrou, como vocalista, o grupo “Processo de África”, com Guncha (tumbas), Artur Décimo (viola baixo), Alaito (bateria) e Abílio (viola ritmo).

Em 1996, venceu o prémio “Liceu Vieira Dias”, com o tema “Kibuikila” (Peste), acompanhado pela Banda Movimento. Em plena ascensão da carreira, Bangão é convidado, em 1999, a fazer parte da Banda Movimento, sempre como vocalista.

No mesmo ano, ganhou a primeira edição do concurso “Semba de Ouro”, com a canção “Kangila” (pássaro agoirento) e afirmou-se como cantor e compositor de inequívocos créditos firmados.

O ano 2003 consagrou Bangão como um dos maiores intérpretes da música popular angolana. Neste ano, no Top Rádio Luanda, ganha os prémios da música do ano, com o tema “Fofucho”, voz masculina do ano e é reconhecido com o prémio preservação pela sua incessante defesa da música popular angolana.

Em 2005 venceu o Top dos Mais Queridos, da Rádio Nacional de Angola (RNA). Nascido a 27 de Setembro de 1962, no bairro Brás, no actual distrito urbano do Sambizanga, em Luanda, onde inicia a carreira musical, Bangão já participou em espectáculos realizados em Portugal, Argentina, Namíbia e Brasil, onde dividiu o palco com o cantor brasileiro Gilberto Gil.

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