“Para mim, é extremamente fácil fazer o Bilé. É o tipo de personagem que eu adoro. Adoro ser este tipo. Ele é um sedutor compulsivo. Com a sua janela aberta, o seu negócio informal, vai exercendo o seu pequeno poder, de oferecer bebidas, a seu favor”, explica, sublinhando que se trata de um retrato muito real da sociedade angolana, na qual muito se pode conseguir em troca de uma cerveja.
A personagem Bilé evolui, mas se há coisa que não muda é a sua veia de aldrabão. “A segunda temporada é sempre uma tentativa de trazer coisas novas e melhorar. O Bilé cresce do ponto de vista da orgânica do negócio e torna-se mais culto, estilo Mestre Tamoda. Na literatura angolana, temos um autor que se chama Uanhenga Xitu, com uma personagem chamada Mestre Tamoda. Um tipo que dizia uma quantidade de verborreias, que não significavam nada. O Bilé é esse tipo, neste estilo de humor ligeiro ancorado na palavra”, explica.
No salão, Bilé sente-se como peixe na água, espalhando o seu charme e rodeado de mulheres bonitas, e também ele arranja uma companheira, uma decisão que, no final das contas, não lhe sai tão bem como esperava. “Nesta segunda temporada, o Bilé tem uma mulher. É a mulher que ele conseguiu ter, uma senhora com obesidade mórbida da qual ele não tem muito orgulho, mas têm-lhe medo e respeito, porque ela é agressiva. Ela doma o Bilé totalmente”, revela.
Carlos Paca confessa conhecer uns quantos “Bilés”, com um espírito jovem e conquistador, e já ter aprendido umas quantas lições com eles. “O Bilé tem a jovialidade típica do africano. Não cresce, não tem noção do seu papel no contexto social do bairro em que vive, mas tem credibilidade. As pessoas respeitam-no porque é mais velho e tem prioridade a expor as suas ideias, de maneira que tem acesso a várias gerações e ele joga um bocadinho com isto”, afirma.
Na entrevista ao SAPO, o actor lamenta não existir maior entrosamento entre os mercados português e angolano, não apenas no que toca à produção artística, mas nas mais diversas áreas de negócio, algo que traria enormes benefícios para ambos.
A segunda temporada de “Maison Afrochic” foi gravada em Portugal, tal como a primeira, e será transmitida pela DSTV, no canal Mundo Fox, em Angola e Moçambique.
Além da participação nesta sitcom, em que contracena com Ciomara Morais, Carlos Paca está envolvido noutro projecto com esta actriz e realizadora luso-angolana. Ciomara Morais, Carlos Paca e Hoji Fortuna formam o elenco da série “Querida Preciosa”, uma série exibida na RTP África.
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